Menu
quarta, 23 de setembro de 2020
Polícia

'A LA NEYMAR': maioria dos estupros em Campo Grande são por conhecidos

Metade dos registros é de casos dentro de casa, onde agressor é namorado, marido ou ficante

06 junho 2019 - 11h10Por Nathalia Pelzl

Em Campo Grande, até o dia 31 de maio, a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) registrou 38 estupros, sendo que 19 foram casos de violência doméstica, onde a vítima é casada com o autor. Uma média de 7 ocorrências por mês. Em 2018, foram registrados na Capital, 42 casos de estupro no mesmo período do ano, de janeiro a maio.  

Nos últimos dias uma denúncia de estupro envolvendo o jogador Neymar Júnior ganhou repercussão na mídia, nacional e internacional. Pensando nisso, a equipe do TopMídiaNews entrevistou a delegada-titular da Deam, Joilce Ramos, sobre o assunto.

Um dos pontos questionados é a demora em denunciar o caso à polícia, como ocorreu no caso do jogador famoso. A delegada explica que isso é comum e pode ocorrer por diversos fatores, até mesmo culpa.

“Existem vítimas que se sentem envergonhadas, se sentem, em algumas situações, culpadas pelo que aconteceu, às vezes pelo estado de embriaguez ou até as pela roupa que estavam vestindo, ou até mesmo porque estava rolando um clima de namoro e paquera e depois ela não quis a relação sexual e foi obrigada. Então, existe sim essa demora. Têm muitas que demoram meses para criar coragem. Em algumas situações elas criam coragem depois de incentivada por algum parente ou amigo”, destaca.

Outro fator destacado pela delegada é a mudança que essa vítima demonstra no seu convívio familiar.

“Geralmente essa vítima muda o comportamento dentro de casa, aí os familiares notam essa mudança e a vítima fica acanhada, é um trauma. Eles percebem, começam a questionar e aí ela toma coragem e acaba vindo registrar, às vezes com um mês ou dois meses de atraso”.

Joilce revela que mesmo que exista a demora no registro, a investigação é aberta e a perícia realizada.

“Se ela não lavou as roupas que usou e teve esperma, a gente consegue sim, depois de meses. A perícia faz os exames e consegue detectar para fazer o confronto de DNA”.

Estupro de violência doméstica

Apesar de o número ser alto, com 19 ocorrências registradas em cinco meses, o estupro no âmbito familiar, a violência doméstica, ainda é o mais difícil de ser denunciado, segundo a delegada. Isso porque a vítima acaba por ter vergonha do fato. 

“Ainda não são todos, muitas mulheres se sentem ainda mais envergonhadas quando se trata de violência doméstica, pois é o marido, que acha que a mulher é obrigada, a hora que ele quer, a manter relação sexual por serem casados. O ato sexual tem que ser consentido ainda que sejam casados. Se ela não quer e ele obriga e força é um estupro, e a pena é pesada”.

 Dicas de segurança

A delegada reforça que, infelizmente, é preciso ter algumas medidas de prevenção, como evitar lugares ermos, principalmente à noite, de baixa luminosidade e pouca movimentação de pessoas. Além disto, ela reforça que, caso precise de algum serviço pela internet, como reparos e consertos, não esteja sozinha ao receber o responsável pela manutenção.

Leia Também

Homem de 62 anos se masturba enquanto chama criança de oito anos para sexo em Coxim
Interior
Homem de 62 anos se masturba enquanto chama criança de oito anos para sexo em Coxim
De 36 detentos, só dois foram recapturados após fuga em massa por causa da covid no PR
Geral
De 36 detentos, só dois foram recapturados após fuga em massa por causa da covid no PR
Com 836 óbitos no dia, total de brasileiros mortos na pandemia chega a 138 mil
Geral
Com 836 óbitos no dia, total de brasileiros mortos na pandemia chega a 138 mil
Quadro em branco: aula na rede municipal só online e retorno presencial segue indefinido
Cidade Morena
Quadro em branco: aula na rede municipal só online e retorno presencial segue indefinido