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Polícia

Empresário garante não ter sido vítima de preso na Operação Ofir

Ele alega que quantia milionária foi doada espontaneamente e que será ressarcido

15 junho 2018 - 15h49Por Celso Bejarano e Diana Christie

Empresário de Campo Grande citado como possível vítima de golpistas presos em novembro, na Operação Ofir, assegura que não levou calote e que tem esperança de conquistar o dinheiro de volta. O octogenário - que prefere não se identificar - alega que entregou dinheiro aos investigados espontaneamente e não está na lista de vítimas dos presos. 

Ele prestou depoimento para a Polícia Federal em operação que desmantelou esquema que prometia lucros ilógicos, de até mil por cento, aos interessados em retornos financeiros sobre valor investido, por meio de recurso arrecadado com minas de ouro, já desativadas e que seriam inexistentes, no período do Brasil Império (1822-1889)

Em entrevista ao TopMídiaNews, o delegado da PF, Guilherme Guimarães Farias, que conduziu a operação Ofir, informa que os golpistas teriam pegado R$ 6 milhões da suposta vítima. Mas o empresário garante que o valor repassado não se refere ao golpe.

Em nota, ele coloca os seguintes argumentos:

- O Md. Delegado da PF, muito embora não tenha se referido a mim NOMINALMENTE, declinou características pessoais minhas tais como faixa etária, ramos de atividade e principalmente a minha situação patrimonial, que me identificam de maneira inequívoca perante as pessoas de meu relacionamento e da minha ex atividade profissional;

- Que, no dia 03 de maio recebi uma intimação do Delegado Guilherme solicitando minha presença aquela DPF, para conversarmos a respeito da dita OPERAÇÃO OURO DE OFIR, o que seria o caso para que se tomasse a termo meu depoimento, ao que, prontamente me comprometi em comparecer para a dita conversa, e assim o fiz;

- Que, ali chegando, iniciamos nossa “conversa’ sobre dita operação e PRINCIPALMENTE a respeito de minha ajuda financeira, incialmente ao falecido sr. CELSO DE ARAÚJO, e posteriormente a seu neto CELSINHO – Celso Eder de Araújo Neto, sempre com o objetivo de, juntos, tentarmos receber comissão de operação internacional em que o Sr. CELSO DE ARAÚJO (o avo) atuou como INTERMEDIÁRIO;

- Que esclareci ao Ilmo. Delegado que prestei tal ajuda financeira de forma espontânea, por acreditar na possibilidade de recebimento da referida comissão, por entender ser absolutamente DEVIDA aos intermediários da referida operação;

- Que, desde o início de nossa conversa o Ilmo. Dr. Delegado insistia em afirmar ter conhecimento de que eu me encontrava com problemas financeiros e com bens pessoais e de minha empresa gravados de penhora por conta de meu investimento na ajuda financeira prestada a CELSO DE ARAÚJO e de seu neto “CELSINHO”;

- Que fiz questão de esclarecer que minha situação financeira e principalmente PATRIMONIAL nada tem a ver com a ajuda financeira prestada exclusivamente a Celso de Araújo (Vô), mas sim com questões tributárias relativas a minha atividade Empresarial enquanto distribuidor de bebidas, questões estas que encontram-se todas sub judice, com diversas ações em trâmite pelas Justiças Federal e Estadual, onde se discute a existência ou não destas dívidas tributárias;

- Que em momento algum me referi aos valores ou cifras que espontaneamente investi junto ao Sr. CELSO DE ARAÚJO, muito embora deixei claro que obviamente investi tais valores por acreditar no retorno do investimento em VALORES EXPRESSIVOS, compensadores;

- Que, jamais formalizei qualquer denúncia em desfavor dos Srs. CELSO DE ARAÚJO, seu neto CELSINHO seu tio ANDERSON ou mesmo contra o Sr. SIDNEI DOS ANJOS PERÓ, muito embora o Ilmo. Sr. Delegado tenha insistido de forma veemente para que EU assim procedesse, ao que lhe respondi que fiz tal investimento de forma ESPONTÂNEA e que, apesar da opinião insistente do Ilmo. Delegado, creio que serei ressarcido do investimento feito;

- Por derradeiro, que jamais tive qualquer relação com eventuais práticas delituosas adotadas pelos Sr. CELSINHO, EDER ou SIDINEI, tais conhecidas no noticiário como APORTES, doações, ou qualquer outra nomenclatura adotada, mais, que não tenho qualquer relação com a documentação apreendida no escritório das pessoas presas, apontados pela PF como falsificações, tais como diplomas, honrarias, documentos bancários, etc.

O HISTÓRICO CONTADO PELA PF

O assunto tratado pelo empresário em questão, segundo a PF, vitimou ao menos 60 mil pessoas moradoras daqui de Mato Grosso do Sul e outros estados brasileiros.

Normalmente, o “investidor” entrava no negócio com R$ 1 mil e a ele era prometido, em curto prazo, lucro que superava mil por cento.
O elevado rendimento viria, segundo os golpistas, de comissões de ouro extraídos no passado de minas exploradas aqui no Brasil e no exterior, como Bolívia, Estados Unidos e até na Rússia. 

Envolvidos no caso diziam ainda a seus clientes que os juros seriam possíveis por meio de quantias que iam receber quando liberadas pelo que chamavam de LTN, Letra do Tesouro Nacional.

O esquema funcionou em MS de 2003 para cá. Celso Araújo, mentor do esquema, segundo a PF, morreu ano passado, um mês antes da operação Ofir, que o prenderia por estelionato e formação de quadrilha. O neto dele Celso Araújo Neto, o Celsinho, foi preso em novembro e até hoje é mantido encarcerado.

Também foram detidos Anderson Flores, tio de Celsinho, filho de Celso e Sidinei Peró. Somente na casa de Celsinho, a PF apreendeu relógio de marcas famosas avaliados em perícia em cerca de R$ 300 mil. Celsinho teve ainda R$ 1 milhão confiscado de conta bancária.

Os R$ 6 milhões, que teria sido supostamente doado pelo empresário, foram usados pelo grupo em viagens feitas para a Europa, segundo a PF.

Celsinho dizia ser administrador de empresa e apresentava diploma falso. Anderson e Sidinei diziam-se advogados, mas também mostrava documentação adulterada.