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Polícia

Filha de bicheiro sofre tentativa de assassinato e já viu pai, marido e irmão serem executados

Família é ligada ao carnaval e à contravenção. Ela assumiu os negócios da família após a morte do pai em 2004

09 outubro 2019 - 10h50Por Da redação/G1

Os tiros que atingiram Shanna Harrouche Garcia, 34 anos, na terça-feira (8), no estacionamento de um shopping na Zona Oeste do Rio, não são o único episódio de violência envolvendo a família Garcia, historicamente ligada à contravenção e ao carnaval no Rio de Janeiro.

Shanna é filha de Waldomiro Paes Garcia, o Maninho, contraventor e ex-patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, assassinado em 2004, também na Zona Oeste. O contraventor teve outros dois filhos: Tamara, irmã gêmea de Shanna, e Myro Garcia, que foi assassinado em 2017. O primeiro marido de Shanna, conhecido como Zé Personal, também foi assassinado em 2011.

A família é proprietária de haras e fazendas com cavalos de raça e cabeças de gado, na Região Serrana do estado. O Ministério Público do RJ chegou a afirmar que Shanna chefiava uma quadrilha, mas nada foi provado, e ela nunca foi presa.

Redes Sociais: haras e viagens

No Facebook, Shanna ostenta selfies "fazendo carão", fotos de biquíni, dos dois filhos, em viagens e a paixão pelo hipismo – esporte que praticou durante alguns anos. Na última postagem pública, ela publicou uma foto recordando a época em que participava de competições.

No perfil, Shanna diz que estudou na Faculdade Estácio. Ela curte páginas sobre hipismo, cavalos, haras e de alguns políticos, como as do ex-deputado estadual Rafael Picciani, do deputado federal Cacá Leão (PP/BA) e do ex-deputado federal Eurico Junior. A irmã gêmea, Tamara, não aparece na relação dos amigos da rede social.

(Foto: reprodução/rede social)

Negócios e contravenção

Shanna Garcia é sócia de um bar e restaurante na Zona Sul do Rio e tem um haras com as iniciais do seu nome: SHG. Depois da morte do pai, Shanna assumiu os negócios da família e também foi nomeada inventariante do espólio do pai, o que provocou uma briga com os irmãos.

Em 2011, a Operação Tempestade no Deserto, que tinha como objetivo desmantelar uma quadrilha de contraventores especializados em jogo do bicho no Rio, prendeu três pessoas. Na época, foram apreendidas joias, dinheiro, armas e três carros.

Segundo o MP-RJ, a quadrilha era integrada por um policial civil, quatro policiais militares e outras duas pessoas, liderada por Shanna Harrouche Garcia. Como apurou a TV Globo, a polícia investiga a informação de que Shanna teria planos de retomar o controle de pontos do jogo do bicho que ela herdou do pai, mas que há anos são controlados pelo ex-cunhado dela, Bernardo Belo Barbosa.

Paixão pelo Salgueiro

Shanna estava na presidência executiva do Salgueiro ao lado do então marido, Rafael Alves, quando a chapa rival conquistou, em dezembro do ano passado na Justiça, o direito de comandar a escola.

Na época, o Salgueiro era presidido por Regina Celi, apoiada pela família Garcia.

No carnaval deste ano, Shanna foi vista na Marquês de Sapucaí em um camarote da Riotur com o então marido, Rafael, que é irmão de Marcelo Alves, presidente da empresa de turismo. Atualmente, os dois estão separados.

Histórico de crimes na família

2004 – Maninho, 42 anos, pai de Shanna, é assassinado no dia 28 de setembro. Ele estava com o filho, Myro Garcia, então com 15 anos. Os dois tinham acabado de deixar uma academia de ginástica, na Freguesia, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Maninho foi atingido por vários disparos. O filho também foi atingido, mas sobreviveu. Na época, Maninho respondia por vários crimes, entre eles formação de quadrilha e contrabando, pelo qual foi condenado a seis anos de prisão em 1993, peja juíza Denise Frossard. Passou três anos e meio preso e foi solto em outubro de 1996. O assassinato do bicheiro deu início a uma disputa por áreas dos pontos do bicho nas zonas Norte, Sul e Oeste da cidade, além da escola de samba Salgueiro, que era liderada pelo contraventor.

2007 - Primo de Maninho, o vice-presidente do Salgueiro, Guaracy Paes Falcão, 42 anos, e a mulher dele, Simone Moujarkian, 35 anos, foram executados a tiros de fuzil, no Andaraí, Zona Norte. Guaracy chegou ao Salgueiro no final da década de 90, onde trabalhou junto com o tio Miro. Na escola, ele desempenhou várias funções.

2009 - Morre assassinado em Ipanema, Zona Sul, o pecuarista Rogério Mesquita. Ele era ligado a Maninho e considerado seu braço direito. O pecuarista já tinha sobrevivido a um atentado no interior do Rio um ano antes após ter o carro atingido por 30 tiros.

2011 - O marido de Shanna, genro de Maninho, José Luiz de Barros Lopes, conhecido como Zé Personal, foi morto em um centro espírita na Praça Seca, também na Zona Oeste. Personal assumiu os pontos após a morte de Maninho, de acordo com informações da Polícia Civil. Ele fazia o controle de máquinas de caça-níqueis na Zona Sul e em outras áreas da cidade. Ele se apresentava como jogador de pôquer e fazia muitas viagens internacionais para participar de torneios, chegando a ganhar US$ 65 mil numa competição no Chile. Por isso, ele não costumava ter sua imagem ligada ao jogo do bicho.

2017 - Myrinho, como era o conhecido o irmão de Shanna, foi assassinado aos 27 anos. Ele foi sequestrado ao sair da academia na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Myro foi morto pelos sequestradores, ao deixar o carro dos suspeitos, logo após pagar o resgate.

Tiros no shopping

A polícia do Rio analisa um vídeo que mostra o momento em que Shanna é baleada no estacionamento do shopping. As imagens mostram um carro branco com suspeitos se aproximando do carro de Shanna, que chegava no shopping onde tinha hora marcada no salão de beleza.

Em seguida, disparos são feitos, Shanna é atingida e volta para o veículo para se proteger. O atirador que efetuou os disparos já estava perseguindo a vítima, segundo as primeiras investigações. "O carro da pessoa que atirou já vinha seguindo”, afirmou ao G1 a delegada Adriana Belém.

Investigadores também já descobriram que o carro usado pelos criminosos tinha a placa clonada. O carro original teve as placas furtadas em Senador Camará, na Zona Oeste, no dia 19 de julho. A delegada disse ainda que o atirador usou uma luva ao efetuar os disparos.

Shanna foi baleada no pulso e tórax. Ela passou por uma cirurgia no pulso no início da tarde no Hospital Lourenço Jorge e depois foi transferida para uma unidade particular de saúde. Até a noite desta terça, o quadro de saúde dela era estável e não tinha previsão de alta.

Como mostrou reportagem do RJ2 nesta terça, Shanna Garcia contou para amigas que um carro com um homem armado e encapuzado emparelhou com o dela em setembro. A mensagem sobre o emparelhamento do carro foi enviada no dia 25 de setembro para um grupo de mães da escola de seu filho.

"Meninas, eu estava saindo da escola agora. (...). Na hora que eu estava saindo (...), eu vi que alguém buzinou e saiu também. (...) Quando eu cheguei no segundo quebra-mola, eu vi que eles aceleraram pra me passar. E o cara que estava no banco da frente, eles estavam de vidro aberto. Ele estava totalmente encapuzado. E tava armado. Eu não sei qual era a intenção deles, mas eu tomei um susto, né? Pisei no freio fechei o vidro rápido e aí eles aceleraram e passaram."