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Golpe quase perfeito: quadrilha lucrou R$ 300 mil com cartões de idosos em Campo Grande

Software imitava ligações a agências bancárias e polícia suspeita que haja envolvimento de funcionários na venda de informações de clientes

29 MAI 2019
Amanda Amaral
16h46min
Polícia acredita que haja mais vítimas ainda e incentiva denúncias Foto: Amanda Amaral

Nove integrantes da quadrilha que roubava cartões bancários em Campo Grande foram presos preventivamente e apresentados nesta quarta-feira (29), na 1ª Delegacia da Polícia Civil. Em cerca de seis meses, os criminosos lucraram R$ 300 mil com os golpes, praticados 97% das vezes contra idosos.

Conforme o delegado-titular Cláudio Zotto, são 40 boletins de ocorrência registrados só na 1ª DP, que há meses acompanha o método de estelionato do grupo. O esquema contava até mesmo com um software chamado Uradisk, comprado por cerca de R$ 3 mil e que imitava com exatidão ligações a agências bancárias.

A delegada Priscila Anuda explica que a estratégia era chefiada por pessoas em São Paulo, capital, em uma organização bem articulada e segmentada. Para iniciar o golpe, o grupo já tinha algumas informações sobre clientes de bancos, o que faz a polícia também suspeitar de venda de dados por funcionários desses locais.

Havia pessoas responsáveis por ligar para os donos dos cartões, se passando por alguém do banco, e falavam para o cliente que havia uma compra suspeita. Em seguida, pediam para o cliente ligar para o número de contato atrás do cartão, e é aí que o golpe se torna ‘sofisticado’, explica a delegada. 

Máquinas de cartão, celulares e vestuário foram apreendidos. 

“O programa então fazia esse papel automaticamente, redirecionando essa ligação de forma que parecesse que a vítima estava ligando para o banco, quando na verdade a ligação anterior sequer havia sido finalizada. Como era muito fiel a gravação ao áudio real do banco, o cliente passava todos os seus dados sem desconfiar”, diz.

Os criminosos também solicitavam que a vítima cortasse seu cartão, mantendo intactos chip e código de segurança, e os entregasse a um suposto funcionário do banco, que recebia R$ 400 para buscar o item na casa dos clientes. Bem vestidos, esses ‘recolhedores’ por vezes iam até através de aplicativos de caronas pagas nos locais.

Com a quadrilha foram encontradas 27 máquinas de cartões, o notebook em que rodava o programa, celulares, tablete, relógio e diversos itens de vestimenta, entre tênis, bonés e camisetas. Os criminosos chegaram até a abrir loja virtual com os itens adquiridos com dinheiro roubado.

A polícia acredita que haja ainda mais vítimas e pede que estas procurem pela ajuda da polícia. Só uma delas teria perdido cerca de R$ 30 mil outros três criminosos envolvidos já haviam sido presos em abril, em ação deflagrada por policiais do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros).

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