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Polícia

Golpista pede 'milão' para sortear casas da Emha, dá recibo falso e some em Campo Grande

Wagner Pinto de Souza Júnior já foi preso pelo mesmo crime no ano passado

28 janeiro 2019 - 07h00Por Thiago de Souza

Ao menos cinco pessoas relataram serem vítimas de um golpe, aplicado por um homem que se passa por funcionário da Prefeitura de Campo Grande, envolvendo casas populares da Emha.

Conforme as denunciantes, Wagner Pinto de Souza Junior pede mil reais para fazer com que os imóveis sejam sorteados para os pagantes, dá um recibo falso e não retorna mais as ligações.

Conforme a denúncia, no dia 17 de dezembro de 2018, Wagner aproveitou o fato de conhecer a dona de uma loja, no centro da Capital, para fazer a proposta às três funcionárias dela e mais dois familiares.

''Ele veio aqui dia 17 e voltou no dia 18 para pegar o dinheiro. Cada uma pagou mil reais'', revela uma funcionária, que não quis se identificar.

Ela acrescenta que ele  passou um recibo em nome de Luis Campos Mendes com o número do processo da casa na Emha, que seria no Jardim Marajoara, região sul de Campo Grande, que tem previsão para entrega até março deste ano.  

Wagner teria dito às vítimas que foi até a prefeitura registrar o processo, mas nenhuma o acompanhou. Elas passaram a desconfiar dele por conta que faltava entregar o recibo para três delas.

''Todo dia ele ligava prometendo o recibo, mas nunca veio'', explicou a trabalhadora. Ela acrescenta que o suspeito atende o telefone, mas sempre dá uma justificativa para não passar os recibos.

Recibo emitido por Wagner para sorteio de casas. (Foto: Repórter Top)

Desconfiadas, as vítimas pediram informações sobre ele e descobriram que trata-se de um golpista. Wagner é réu por estelionato, sendo pela mesma prática: cobrar para sortear casas populares. Em março de 2018, ele 'lucrou' 9 mil reais de cinco pessoas.

Suspeito foi preso, liberado e continuou golpes 

Em abril do ano passado, ele acompanhava uma vítima que iria sacar o dinheiro no banco Bradesco, ocasião em que foi preso em flagrante.

Hoje, Souza responde o processo em liberdade e precisa se apresentar mensalmente à justiça, não pode sair de casa à noite e aos finais de semana, mas segue cometendo crimes.

Em 2016, Wagner também foi acusado de apropriação indébita, quando emprestou uma S-10 de um amigo, alegando que faria mudança de residência, mas entregou a caminhonete a um homem com o qual tinha dívidas. O proprietário deu queixa e veículo foi devolvido.

Golpista disse falar em nome de vereadores

Mesmo tendo suas falcatruas descobertas, o suspeito mantinha negociação com as vítimas, segundo os relatos.

''Ele pediu que tivéssemos dó dele e confessou que esteve preso, mas o que tinha prometido estava de pé'', diz a vítima. Wagner teria dito ainda que trabalhava para três vereadores da Capital, mas não citou quais.

''Ele é tão sem vergonha que fez a mãe dele ligar para uma colega nossa, falando que ela vai fazer um empréstimo até o dia 5 de fevereiro para nos pagar'', apontou.

Todas as pessoas que pagaram para Wagner registraram boletim de ocorrência na delegacia que fica no bairro Monte Castelo.

Contato com o suspeito e resposta da Emha

Entramos em contato com Souza, mas ele disse não saber de nada a respeito de casas populares, ficou irritado e desligou o telefone. A Emha esclareceu que Souza nunca foi funcionário da agência.

As vítimas que pagaram dinheiro para terem casas sorteadas justificaram que precisam do imóvel, mas que não são sorteadas.

''Eu tenho inscrição há seis anos. Tem gente que está há 10 anos na fila. Não sai e todo ano tem de renovar o cadastro'', lamentou.