Condenado definitivamente a 60 anos de prisão por estupro de vulnerável, Gecias da Silva Feitosa, de 69 anos, continua foragido da Justiça quase um mês após a expedição do mandado de prisão. Enquanto aguarda o cumprimento da pena em regime fechado, a família das vítimas afirma viver uma rotina de angústia e cobra maior empenho das autoridades para localizar o condenado.
O mandado de prisão foi expedido em 24 de junho deste ano, após o trânsito em julgado da condenação, quando não há mais possibilidade de recursos. O documento determina que o homem seja recolhido a uma unidade prisional para cumprir a pena pelos crimes previstos no artigo 217-A do Código Penal, que trata do estupro de vulnerável. A ordem judicial tem validade até maio de 2046.
Segundo a mãe de duas das vítimas, a denúncia foi feita em 2021, quando a filha mais nova revelou os abusos sofridos. Durante a investigação, outra filha da mulher também relatou ter sido vítima. Além das duas, outra criança detalhou ter sido vítima do idoso.
"Minha filha caçula denunciou durante a pandemia. Depois, minha outra filha também contou o que havia acontecido e, em seguida, a filha de [omitido] revelou que também sofreu abusos. Desde então, venho lutando para vê-lo preso", afirmou.
Cinco anos após a denúncia, a mãe afirma que as sequelas psicológicas deixadas pelos abusos ainda fazem parte da rotina da família.
Segundo ela, a filha mais nova realiza acompanhamento no Caps (Centro de Atenção Psicossocial), faz uso de medicamentos para tratar depressão e enfrenta isolamento social.
Já a filha mais velha, conforme o relato da mãe, enfrentou uma década de dependência química antes de revelar os crimes.
"Ela só conseguiu sair das drogas quando conseguiu contar esse segredo. Hoje está há cinco anos sem usar drogas, mas ainda enfrenta graves consequências psicológicas. É uma guerreira", disse.
A mulher também afirma que a terceira vítima vive em silêncio desde que os crimes vieram à tona. "Eu não tenho paz sabendo que, depois de tudo o que fez, ele pode estar vivendo normalmente enquanto essas meninas tentam reconstruir a vida."
Liberdade provisória pode ter facilitado a fuga
A mulher relata que o condenado chegou a responder parte do processo em liberdade, sob medidas cautelares, e acredita que isso facilitou a fuga antes do cumprimento definitivo da pena.
"Quando ele foi condenado em primeira instância, pôde recorrer em liberdade. Eu nunca soube quais eram essas medidas cautelares. Não colocaram tornozeleira eletrônica, não houve monitoramento. Agora ele simplesmente desapareceu", disse.
A mãe afirma que o Garras (Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros) esteve na residência do condenado para cumprir o mandado, mas não o encontrou. Desde então, segundo ela, não houve novas diligências que tenham chegado ao conhecimento da família.
Ela conta que mantém contato frequente com a Polícia Civil e repassa informações que consegue obter por conta própria. Nesta semana, por exemplo, comunicou às autoridades que o WhatsApp utilizado pelo condenado permanecia ativo.
"Hoje mesmo entrei em contato para informar que o WhatsApp dele está funcionando e perguntei se havia como localizá-lo por isso. O chip do telefone aparece desligado, mas o WhatsApp continua ativo. Todas as informações sou eu quem procura e repassa", afirmou.
Diante da demora, familiares passaram a divulgar nas redes sociais um cartaz com a fotografia do condenado, pedindo que qualquer informação sobre o paradeiro dele seja comunicada às forças de segurança.
A reportagem preserva a identidade das vítimas, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Informações que possam auxiliar na localização do foragido podem ser repassadas à Polícia Civil pelos canais oficiais de denúncia, com garantia de sigilo da identidade do denunciante.








