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PMCG - REFIS 01 a 30/07/2019

Mais de 300 homens foram presos em 2019 por agredir ou ameaçar mulheres em Campo Grande

A Deam já deferiu um total de 1.500 medidas protetivas; denunciar importa

11 MAI 2019
Dany Nascimento
18h10min
Foto: Wesley Ortiz

A delegada titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Joilce Silveira Ramos, afirma que um total de 300 homens foram presos somente em Campo Grande, em 2019. Ela afirma que as prisões ocorreram devido ao descumprimento de medidas protetivas ou em casos de agressão contra a mulher.

Joilce reforça a importância das vítimas procurarem ajuda na polícia e destaca que, somente neste ano, foram deferidas mais de 1.500 medidas protetivas na Capital. “Se esses 300 homens não estivessem presos, quantos feminicídios mais teríamos, quantas mulheres estariam mortas? A medida protetiva faz muita diferença sim. Desses registros, nenhuma mulher foi assassinada”.

Após registrar a morte de Luana Pricila de Oliveira, 26 anos, dentro de uma boate, a delegada destaca que a vítima poderia ter acionado a polícia no momento em que o suspeito de cometer o crime, João Gonçalves Silva, 39 anos, entrou no local. “Se no momento que ela viu esse homem adentrando na boate, tivesse se escondido, tivesse acionado a polícia militar, ou a patrulha Maria da Penha, eu tenho certeza que, nesse momento, ela estaria viva”.

Para a titular da Deam, as mulheres precisam ter consciência e impedir aproximação com os agressores. “Esse caso específico reforça três correntes que eu falo muito. A primeira de que o homem cultural é machista, ele deu motivo mais do que comprovados para a separação e, mesmo assim, ele acha que ela é obrigada a ser dele. Segunda de que a dependência afetiva é maior que a financeira. Essas mulheres se sentem presas, mesmo sendo agredidas, mesmo com a ação contra a menor, mais uma vez ela estava perdoando ele e aceitando o relacionamento mesmo que por um dia. Outra que reforço é que não conseguimos quantificar quantas mulheres salvamos com medidas de urgência”.

Luana teria reatado com João em setembro do ano passado, mesmo após acionar medidas protetivas. Ela não revogou o pedido na polícia e voltou a conviver com o marido. Em março deste ano, ela flagrou o mesmo abusando sexualmente de sua filha e voltou até a delegacia, comunicando o fato.

A Justiça expediu um mandado de prisão contra João, que estava foragido.  

O caso

Luana Pricila de Oliveira, 26 anos, foi executada com quatro tiros dentro de um quarto em uma boate na Rua Olavo Bilac, na Vila Carvalho, em Campo Grande. O suspeito de cometer o crime, João Gonçalves Silva, 39 anos, seria ex-marido da vítima e não aceitava o fim do relacionamento.

Ele entrou na boate, conversou por alguns minutos com Luana e ambos subiram para um quarto. Os dois tiveram relação sexual e, após o ato, João sacou uma arma e disparou quatro vezes contra a jovem, que morreu no local. Em seguida, ele atirou contra a própria cabeça.

Pricila foi atingida na nuca, nádegas, braço e coxa. João tinha um ferimento do lado esquerdo da cabeça. No local, a Polícia Militar encontrou um revólver calibre 38. João ainda estava vivo quando a polícia chegou no local, mas morreu enquanto era encaminhado para a Santa Casa.

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