terça, 11 de agosto de 2026

Busca

terça, 11 de agosto de 2026

Link WhatsApp

Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Top Mídia News
Polícia

há 38 minutos

Após tratar câncer, mulher relata demissão de hospital: 'Retornei vitoriosa e me mandaram embora'

Justiça rejeitou pedido por falta de provas sobre conhecimento do diagnóstico

Kellen Mateus Pires, de 44 anos, afirma que foi demitida do Hospital São Julião, em Campo Grande, no mesmo dia em que voltou ao trabalho após tratamento contra um câncer no colo do útero. Ela era auxiliar de limpeza e ficou cerca de nove meses afastada.

A ex-funcionária entrou na Justiça contra a demissão, alegando que o hospital sabia que ela estava em tratamento. O pedido, porém, foi negado pela Justiça do Trabalho, que entendeu que não ficou comprovado que a instituição tinha conhecimento do diagnóstico de câncer antes da dispensa.

Kellen foi contratada em fevereiro de 2024. Ainda durante o período de experiência, começou a apresentar sangramentos e dores. Após passar por atendimentos médicos, fez uma biópsia e, segundo ela, recebeu o diagnóstico de câncer maligno no colo do útero.

Inicialmente, recebeu um atestado de 30 dias. Depois da confirmação da doença, afirma que recebeu outro documento para ficar seis meses afastada e realizar quimioterapia e radioterapia.

Segundo Kellen, o atestado foi entregue pessoalmente à gerente do setor de Recursos Humanos e também enviado por WhatsApp. "Ela pegou esse documento, eu assinei o livro, um protocolo, assinei esse protocolo lá, entreguei para ela. Nesse momento ela falou para mim: 'fica tranquila, vai dar tudo certo'", relatou.

Durante o tratamento, ela passou por seis sessões de quimioterapia e 20 de radioterapia. Depois dos seis meses, ainda se sentia debilitada e conseguiu mais três meses de afastamento.

Antes de voltar ao trabalho, Kellen passou pelo médico do trabalho do hospital e afirma que foi autorizada a retornar gradualmente. No primeiro dia de volta, ela conta que trocou de roupa e aguardou para iniciar o expediente. Pouco depois, foi chamada ao RH.

Segundo a ex-funcionária, a gerente e a encarregada informaram que o contrato seria encerrado por "motivos maiores". "Eu fiquei em choque porque o mais difícil foi passar pela rádio, pela quimioterapia e, quando retornei vitoriosa com o meu tratamento, simplesmente me mandaram embora", disse.

O que decidiu a Justiça

Na ação trabalhista, Kellen alegou que a demissão ocorreu enquanto ela se recuperava do câncer e que o hospital tinha conhecimento da doença.

A decisão, no entanto, apontou que não havia comprovação suficiente de que o diagnóstico havia sido informado à instituição antes da demissão.

Segundo o processo, os documentos cuja entrega ao hospital foi comprovada apresentavam o CID N93.8, que não indica câncer. Já o documento com o CID C53.9, relacionado ao câncer do colo do útero, não teve a entrega ao hospital comprovada antes da dispensa.

Uma testemunha afirmou ter ouvido da encarregada que Kellen estava em tratamento contra o câncer. O relato, porém, foi considerado indireto e insuficiente para comprovar que o hospital havia recebido o diagnóstico.

Conforme a decisão, elas mostram contato entre Kellen, a encarregada e o setor de gestão de pessoas, mas não comprovam o envio do documento com o diagnóstico antes da demissão.

A Justiça também considerou mensagens em que Kellen dizia estar curada e um atestado médico de fevereiro de 2025 que autorizava o retorno ao trabalho. Com base nas provas apresentadas, a Justiça concluiu que não havia elementos suficientes para afirmar que a demissão ocorreu por causa do câncer.

Atualmente desempregada, Kellen recebe benefício assistencial. Ela diz que passou meses procurando emprego após o tratamento e encontrou dificuldades para conseguir uma nova oportunidade.

Segundo ela, decidiu tornar o caso público para chamar atenção para a situação de outros trabalhadores que enfrentam doenças graves. "Não é nem pelo dinheiro. É pelas condições que o hospital me deixou, pelo que estou vivendo", afirmou.

Por meio de nota, o São Julião detalhou que o caso já tramitou em julgado na Justiça. Confira:

"O Hospital São Julião informa que as alegações relacionadas ao desligamento da ex-colaboradora foram submetidas à Justiça do Trabalho, que afastou a existência de dispensa discriminatória em decisões de primeira e segunda instâncias, já transitadas em julgado.

Em respeito ao segredo de justiça, o Hospital não comentará aspectos específicos do caso nem divulgará informações ou documentos protegidos por sigilo.

O Hospital São Julião reafirma seu compromisso histórico com a legalidade, o respeito às pessoas e a não discriminação, princípios que orientam sua atuação e sustentam seus 85 anos de história".

Siga o TopMídiaNews no , e e fique por dentro do que acontece em Mato Grosso do Sul.
Loading

Carregando Comentários...

Veja também

Ver Mais notícias