A Polícia Civil apreendeu seis adolescentes, de 13 a 17 anos, em cinco estados durante a segunda fase da Operação Lívia, que investiga a morte de uma adolescente em Naviraí. Segundo os investigadores, os jovens ocupavam posições de liderança em grupos virtuais usados para atrair vítimas, fazer ameaças e praticar diferentes formas de violência.
Os mandados foram cumpridos nesta semana no Distrito Federal e em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia. A nova etapa da investigação foi detalhada nesta quinta-feira (17), durante coletiva da Polícia Civil em Campo Grande.
De acordo com a delegada Anne Karine Trevizan, da DEPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), os seis adolescentes foram identificados a partir da análise de aparelhos e outros materiais apreendidos na primeira fase da operação.
Os investigadores descobriram comunidades virtuais chamadas pelos próprios integrantes de “panelas”. Segundo a polícia, os grupos tinham uma espécie de hierarquia, com participantes responsáveis por diferentes funções.
Uma delas era encontrar e se aproximar de adolescentes em situação de vulnerabilidade. Para isso, os integrantes utilizavam redes sociais e plataformas de conversa e, em alguns casos, criavam perfis falsos para ganhar a confiança das vítimas.
Depois da aproximação, informações sobre as vítimas e seus familiares eram obtidas e, segundo a investigação, utilizadas para ameaças e coação.
No caso de Lívia, a polícia afirma ter encontrado indícios de que integrantes desses grupos participaram da dinâmica que antecedeu a morte da adolescente. A investigação aponta que ela sofreu ameaças e foi coagida a praticar determinados atos.
A morte da adolescente, segundo a Polícia Civil, foi transmitida ao vivo pelas plataformas Discord e Instagram.
Além do caso de Lívia, os investigadores encontraram indícios de que outras adolescentes podem ter sido vítimas dos grupos. Parte dos registros analisados envolve episódios de automutilação e outras formas de violência.
A polícia ainda analisa os dados dos celulares e demais equipamentos apreendidos. O trabalho pode levar à identificação de novos integrantes e vítimas.
12 pessoas apreendidas ou presas
Com a segunda fase, a Operação Lívia chegou a 12 pessoas apreendidas ou presas. Na primeira etapa, cinco adolescentes e um adulto foram alcançados pela investigação. Agora, outros seis adolescentes foram apreendidos.
O adulto responde, segundo a Polícia Civil, por homicídio qualificado, organização criminosa e maus-tratos contra animais. No caso dos adolescentes, a responsabilização ocorre por atos infracionais.
Os seis adolescentes apreendidos nesta fase permanecem sob custódia e terão a situação analisada pela Justiça. A internação provisória, quando determinada, pode durar até 45 dias, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.
A investigação continua e a polícia não descarta novas apreensões a partir da análise do material recolhido nos cinco estados.
A Polícia Civil também orienta pais e responsáveis a acompanhar os contatos e as plataformas utilizadas por crianças e adolescentes e a procurar ajuda caso identifiquem ameaças ou situações de violência no ambiente virtual.








