Policiais investigados na Operação Infiltrados são suspeitos de terem sido pagos para monitorar traficantes e utilizar a própria estrutura de segurança pública em benefício de um esquema criminoso em Mato Grosso do Sul. A investigação aponta que agentes consultavam sistemas oficiais para acompanhar veículos de suspeitos e chegaram a instalar rastreadores nos carros.
A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar. Foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
Segundo os documentos da investigação, em 2025, Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, teria se aliado a um policial penal e dois policiais militares para monitorar um traficante de Campo Grande.
A suspeita é de que os policiais consultavam os veículos utilizados pelos alvos nos sistemas oficiais de segurança. Além disso, teriam instalado os chamados “carrapatos”, rastreadores magnéticos com GPS, nos automóveis para acompanhar a movimentação dos suspeitos.
A investigação apura se o monitoramento fazia parte de uma atuação coordenada para localizar e apreender drogas de outros traficantes, beneficiando o grupo investigado.
Os investigadores também apontam que a relação entre policiais e traficantes não se limitava ao monitoramento.
Um dos principais nomes citados é LK, que já estava preso antes da operação. Conforme a apuração, ele teria passado de alvo de uma ocorrência policial a aliado de agentes envolvidos no esquema.
Em 2021, segundo a investigação, Lucas foi levado à Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) por desobediência e desacato. Não houve apreensão de drogas.
Depois disso, ainda conforme os documentos, ele teria feito três depósitos para a conta de um policial civil que também é alvo da operação.
A investigação cita ainda episódios em que policiais teriam desviado drogas apreendidas em ocorrências.
Em dezembro de 2022, Edmilson Santos Pereira, apontado pelo Gaeco como um dos chefes de uma facção ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), teria pedido ajuda a LK para conseguir 326 quilos de cocaína que estavam sob responsabilidade de três policiais civis.
Os agentes citados são Neverson Vieira de Araújo, Nilton César Sales dos Santos e Roberto Palmeira da Silva, todos investigados na Operação Infiltrados.
Um mês antes, segundo a apuração, os mesmos policiais teriam oferecido 30 quilos de pasta-base de cocaína apreendidos em uma ocorrência aos irmãos Edmilson e Itamar dos Santos Pereira.
Nove policiais da ativa presos
Ao menos nove policiais da ativa foram presos durante a operação, segundo informações apuradas sobre a ação.
Entre os nomes confirmados estão Douglas Tobias, Neverson Vieira de Araújo, Nilton César Sales dos Santos, Augusto Torres Galvão Florindo, Nelson Ricardo Barros de Oliveira e Luiz, cujo sobrenome ainda não foi informado.
Roberto Palmeira da Silva teve mandado de prisão expedido, mas não havia sido localizado inicialmente. Segundo a defesa, ele se recupera de uma cirurgia e deveria se apresentar à polícia.
Delegado da Denar na época em que o esquema começou, Hoffman D'Ávila Cândido e Souza, também não foi localizado durante o cumprimento do mandado. No entanto, durante a tarde de ontem se apresentou na Corregedoria da Polícia Civil e ficou preso.
Augusto Torres Galvão Florindo já havia sido preso em flagrante em novembro de 2025, quando foi encontrado com R$ 130 mil em espécie. Segundo a investigação, o dinheiro estaria relacionado a mercadorias que teriam sido desviadas do Garras. Ele foi posteriormente exonerado.
Sejusp
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que os servidores envolvidos na operação já eram investigados pelas respectivas corregedorias e que três deles já haviam sido presos anteriormente.
A secretaria declarou que não compactua com desvios de conduta ou práticas ilícitas cometidas por integrantes das forças de segurança.
A pasta afirmou ainda que os casos serão apurados com rigor, respeitando a legislação, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.








