TJMS JANEIRO
Menu
sábado, 22 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Polícia

Testemunha-chave, empresário acusa Ronan de trocar cheques por cargos

27 novembro 2015 - 10h17Por Diana Christie e Alessandra Carvalho

Testemunha-chave da acusação contra o prefeito afastado Gilmar Antunes Olarte (PP), o empresário Paulo Sérgio Telles afirma que intermediava negociação entre o ex-assessor da prefeitura, Ronan Edson Feitosa de Lima, e as vítimas do escândalo conhecido como ‘golpe dos cheques em branco’.

Lotado na Funesp (Fundação Municipal de Esportes), Telles declarou, durante audiência realizada nesta manhã (27) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que foi apresentado a uma pessoa identificada apenas como Jefferson e os dois se dirigiam até residências no bairro Nova Lima para buscar os talões de cheque assinados.

Segundo ele, Jefferson estava chateado com Ronan e desabafou sobre o esquema, pois estava sendo cobrado por diversas pessoas. O ex-assessor teria convencido os eleitores a apoiá-lo e emprestar os talões de cheque em troca de favores como nomeações na prefeitura e empregos, em uma possível administração de Gilmar Olarte. Teriam sido usados entre 12 e 20 talões, que juntos, somam cerca de R$ 1 milhão.

Telles contou ainda que "ouviu falar" que o dinheiro seria utilizado no pagamento de propina para a cassação do então prefeito Alcides Bernal (PP), mas que não pode afirmar com certeza já que não possui provas.

A aquisição dos cheques teria ocorrido quando Ronan e Telles ainda trabalhavam na campanha eleitoral de 2012, sendo que o ex-assessor era responsável por elaborar o jingle dos candidatos e o empresário trabalhava como voluntário buscando aliados, mas era financiado pelo PSL.

Questionado sobre o envolvimento do fotógrafo Luiz Márcio Feliciano, Paulo Sérgio afirmou que não sabe se ele era nomeado ou recebia alguma vantagem, apenas que estava sempre próximo e auxiliando Gilmar Olarte. Devem ser ouvidas hoje 18 testemunhas, tanto de defesa quanto acusação.

Segundo as investigações, Olarte e Ronan atuavam “fazendo ofertas de ajuda política, empregos futuros e outras participações no executivo municipal” para obter “cheques bancários, que passaram a descontar com agiotas ou em factorings [compra de ativos financeiros], deixando sem fundos as respectivas contas bancárias, causando prejuízos aos seus titulares”.