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Polícia

Testemunha diz que empresário morto por PRF pediu desculpas três vezes por erro no trânsito

Ricardo Hyiun Su Moon, acusado de matar o empresário Adriano Correia do Nascimento, está em julgamento no Tribunal do Júri

11 abril 2019 - 10h07Por Rodson Willyams e Dany Nascimento

O supervisor comercial Agnaldo Spinosa da Silva, de 51 anos, foi a primeira testemunha a ser ouvida nesta quinta-feira (11), no julgamento do policial rodoviário federal Ricardo Hyiun Su Moon, acusado de matar o empresário Adriano Correia do Nascimento, no dia 31 de dezembro de 2016.

A audiência acontece no Tribunal do Júri. Em depoimento, Agnaldo disse que a vítima pediu desculpas por três vezes e mesmo assim foi morta pelo policial, que, a todo momento, dizia que ia 'mostrar como que a polícia faz'.

A testemunha relatou que voltava da boate por volta das 5h45, onde comemorava o aniversário do filho, identificado como Vinicius, amigo de Adriano. Segundo a testemunha, o empresário não percebeu que havia fechado o carro de Ricardo, tanto que chegou a abrir a janela do veículo e fazer um sinal para o policial como pedido de desculpas pelo erro.

Em determinada altura da Avenida Ernesto Geisel, com o semáforo vermelho, o empresário estava parado com o veículo quando o policial teria fechado a caminhonete aonde estava Agnaldo, o filho e a vítima, descido do carro e chamado Adriano de vagabundo.

Durante a conversa, Agnaldo relatou que o empresário havia pedido desculpas pelo ocorrido por três vezes, mas mesmo assim, Ricardo apenas dizia que era policial e que iria 'mostrar como que policial faz'.

Em outra parte do depoimento, Agnado relatou que chegou a descer do veículo e mostrou a Ricardo que não estava armado, mas ao entrar na caminhonete, o veículo andou, momento em que o policial efetuou diversos disparos de arma de fogo contra os ocupantes. O empresário, atingido por dois tiros, morreu na hora.

A testemunha relata que, já morto, o pé de Adriano apertou o acelerador do carro, que percorreu alguns metros até colidir em um poste. Agnaldo diz que ficou preso no carro depois que o airbag foi acionado. Após conseguir sair, a vítima acreditava que o filho, Vinícius, também estaria morto, porém o adolescente havia desmaiado e apresentava um ferimento na perna.

Ainda conforme o relato de Agnaldo, os policiais que atenderam a ocorrência trataram as vítimas como bandidas.

Outras testemunhas serão ouvidas no julgamento.

* matéria editada às 10h47 para correção de informações