A execução de um adolescente de 16 anos com 12 tiros, na madrugada desta segunda-feira (20), reacendeu a preocupação de moradores do Jardim Nhanhá, em Campo Grande, com a violência ligada ao tráfico e ao consumo de drogas na região.
Durante a apuração da reportagem, uma moradora da vizinhança e uma tia da vítima afirmaram que o homicídio não foi um caso isolado e temem que outras famílias passem pela mesma situação.
"A coisa aqui está muito feia. A molecada toda está usando droga. Vai morrer muito mais gente por causa disso", disse.
Segundo ela, o sobrinho havia confidenciado, poucas horas antes de morrer, que estava sendo ameaçado de morte por causa de uma dívida relacionada às drogas. A familiar contou que chegou a aconselhá-lo a deixar o bairro imediatamente.
O plano, porém, não deu tempo de ser colocado em prática, uma vez que o menor foi assassinado durante a madrugada dentro da própria casa.
A preocupação da moradora vai além da morte do sobrinho. Ela afirma que a própria família já foi marcada pela violência. Segundo o relato, um dos filhos dela sobreviveu a uma tentativa de homicídio após ser atingido por quatro tiros. Apesar de escapar com vida, perdeu um rim em decorrência dos ferimentos.
Depois do atentado, a família decidiu tirá-lo do bairro. "Hoje ele não usa mais drogas, não bebe, trabalha e tem outra vida", contou.
Ela acredita que a mudança de ambiente foi determinante para que o filho conseguisse recomeçar e teme que outros jovens não tenham a mesma oportunidade.
A moradora também relatou que outros parentes morreram em circunstâncias relacionadas ao envolvimento com drogas ou à violência.
Segundo ela, um sobrinho foi morto em confronto com a polícia. Tempos depois, a mãe dele morreu em decorrência de uma overdose. Outra irmã também morreu após enfrentar problemas ligados ao uso de entorpecentes.
Crime
O adolescente foi assassinado enquanto dormia no sofá da casa onde morava, no Jardim Nhanhá.
Segundo o boletim de ocorrência, testemunhas relataram que um homem chegou ao imóvel em uma motocicleta Honda Biz, entrou pelo portão e foi até a sala, onde efetuou diversos disparos contra o jovem.
A vítima morreu ainda no local. A perícia recolheu 11 cápsulas de munição, e a Polícia Civil investiga o caso.
Durante a manhã, familiares demonstraram revolta com a presença da imprensa e preferiram não comentar o crime.
Até a publicação desta reportagem, nenhum suspeito havia sido preso.









