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Polícia

há 1 hora

Vizinhos detalham brigas frequentes entre idosa e filha na Vila Glória: 'polícia vive por aqui'

A vítima estaria com ferimentos necrosados na perna, que teriam sido causados pela filha durante as discussões

Moradores da Vila Glória convivem há pelo menos 2 anos com gritos e discussões vindos da casa onde uma idosa de 76 anos foi encontrada com ferimentos graves, em Campo Grande. A informação é de um vizinho que mora ao lado da residência e afirma que as brigas entre mãe e filha são recorrentes, embora raramente escute a voz da idosa.

Segundo ele, quem costuma gritar é a filha, de 54 anos, presa em flagrante, suspeita de maus-tratos. O morador relata ouvir frases como "me tira daqui" e "preciso sair desse lugar", mas afirma acreditar que os pedidos partem da mulher, e não da mãe.

O vizinho contou ainda que equipes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da assistência social costumam comparecer ao imóvel com frequência. Apesar disso, segundo ele, a situação nunca apresentou mudanças significativas.

"As equipes sempre estão aqui. A gente não sabe se está tudo bem, mas essa presença é constante", afirmou.

De acordo com o relato, mãe e filha vivem de forma bastante reclusa e dificilmente aceitam ajuda dos moradores da região. Ele disse que os vizinhos já tentaram oferecer apoio, mas a idosa evita contato com pessoas de fora e prefere permanecer isolada.

O morador também comentou que a residência vista da rua aparenta estar abandonada, mas explicou que as duas vivem em um pavilhão localizado nos fundos do terreno. Segundo ele, essa construção possui melhores condições estruturais do que a casa da frente, embora nunca tenha entrado no local.

O caso

A idosa de 76 anos foi encontrada com diversos ferimentos pelo corpo, incluindo uma grave lesão na perna esquerda com sinais de necrose, em um imóvel considerado insalubre na Vila Glória, em Campo Grande.

O caso foi descoberto depois que profissionais da Secretaria Municipal de Saúde acionaram a Polícia Militar ao serem impedidos pela filha da paciente de entrar na residência para dar continuidade ao atendimento domiciliar. As equipes já acompanhavam a idosa e haviam constatado, no dia anterior, várias lesões pelo corpo, mas ela havia recusado atendimento médico.

Com a chegada da polícia, a entrada foi autorizada. No interior do imóvel, os militares encontraram a vítima acamada, cercada por condições precárias de higiene e habitabilidade.

Conforme o boletim de ocorrência, a idosa relatou que os ferimentos foram provocados pela própria filha e afirmou que as agressões eram frequentes. Mãe e filha também admitiram aos policiais que mantinham uma convivência marcada por discussões que, muitas vezes, terminavam em agressões físicas.

Após insistência das equipes de saúde e dos policiais, a idosa aceitou ser levada pelo Samu para a Santa Casa, onde permaneceu internada para exames e tratamento.

Durante a ocorrência, a polícia também levantou suspeita de apropriação do benefício da vítima. A filha insistia em permanecer com os documentos pessoais da mãe e afirmou que uma amiga seria responsável por sacar os valores em nome da idosa.

Diante das evidências, a mulher foi presa em flagrante e encaminhada para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol. Ela deve responder pelos crimes de expor a integridade física e a saúde da pessoa idosa a perigo, maus-tratos, lesão corporal no contexto familiar, lesão corporal dolosa e apropriação ou desvio de bens e rendimentos da vítima.

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