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Política

há 39 minutos

Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar o 2º turno da eleição presidencial

Senador e presidente terão três semanas para ampliar apoios. Petista busca quarto mandato, e bolsonarista disputa Planalto pela primeira vez

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão decidir a eleição presidencial de 2026 no segundo turno.

Com 96,60% das urnas apuradas, o candidato do PL tem 47,72% e o petista tem 44,70%. A nova votação será em 25 de outubro.

O resultado prolonga por mais três semanas uma disputa que recolocou PT e bolsonarismo frente a frente pelo comando do país, mas com uma mudança no lado da direita.

Fora das urnas, Jair Bolsonaro deu lugar ao filho, escolhido para representar o grupo político da família na corrida pelo Palácio do Planalto.

Aos 80 anos, Lula tenta conquistar um inédito quarto mandato como presidente. Ex-metalúrgico e ex-líder sindical, ele comandou o país entre 2003 e 2011 e voltou ao Planalto em 2023, após derrotar Bolsonaro nas eleições de 2022.

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, disputa a Presidência pela primeira vez. Formado em direito, ele iniciou a carreira política na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde cumpriu quatro mandatos, e está no Senado desde 2019.

Antes da disputa deste ano, a única tentativa do filho mais velho de Jair Bolsonaro em uma eleição ao Executivo ocorreu em 2016, quando concorreu à Prefeitura do Rio e ficou fora do segundo turno.

A partir desta segunda-feira (5/10), as duas campanhas passam a disputar diretamente os eleitores dos outros 11 candidatos que ficaram pelo caminho.

Os dois passaram a campanha tentando transferir para o adversário os principais desgastes da eleição. Lula explorou a ligação de Flávio com o pai, defendeu as ações do governo e buscou associar o bolsonarista às suspeitas do escândalo do Banco Master.

Pressionado pelas pesquisas, o presidente também recorreu a uma série de medidas com impacto direto no bolso da população. Ao longo dos últimos meses, o governo lançou uma nova edição do Desenrola Brasil, adotou medidas para conter a alta dos combustíveis e acabou com a tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”.

Com novos levantamentos apontando Flávio Bolsonaro na liderança, cresceu nos bastidores a insatisfação de aliados de Lula com a condução da campanha. Na reta final, o presidente mudou o tom e passou ao confronto direto com o adversário.

O governo também anunciou novas medidas: lançou um novo Desenrola, reajustou o Bolsa Família em cerca de 15% e editou uma medida provisória para proibir a operação de apostas esportivas e cassinos on-line no país.

Flávio, por sua vez, tentou reacender o antipetismo que ajudou a levar o pai ao Planalto em 2018. Concentrou ataques na gestão petista sobre a economia e segurança pública, repetiu ações usadas por Jair Bolsonaro em campanhas anteriores, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e explorou suspeitas envolvendo um dos filhos de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e pessoas próximas ao presidente.

Ao mesmo tempo, o senador buscou se apresentar como uma figura diferente do pai e chegou a admitir erros cometidos durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2023. Parte dessa tentativa passou pela aproximação com o eleitorado feminino, segmento em que o ex-presidente encontrava maior resistência. Assim como o pai, Flávio também dedicou atenção especial à mobilização nas redes sociais.

Desacreditado no início da disputa, quando foi escolhido por Jair Bolsonaro para representá-lo nas urnas em 2026, Flávio também precisou enfrentar divisões dentro da própria base bolsonarista.

A candidatura demorou a ganhar força nas pesquisas diante do desconhecimento de parte do eleitorado e do fogo amigo de caciques partidários que buscavam uma alternativa e defendiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para o Planalto. Mesmo assim, Flávio chegou ao primeiro turno sem outros partidos coligados ao PL.

Crises e Banco Master

Entre a pré-campanha e o primeiro turno, não faltaram crises. Para aliados de Flávio Bolsonaro, por exemplo, a necessidade de administrar sucessivos desgastes envolvendo o senador acabou tomando mais espaço do que a discussão de propostas.

Flávio se viu no centro de uma disputa político-familiar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e também sofreu desgaste com as ofensivas do governo dos Estados Unidos contra o Brasil.

O caso que mais acompanhou sua campanha, porém, envolveu o filme Dark Horse, produção sobre a eleição que levou Jair Bolsonaro ao Planalto, financiada com dinheiro do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal investiga o destino de R$ 61 milhões repassados para a produção, e Flávio foi incluído no inquérito aberto no STF. Documentos da investigação também revelaram mensagens entre o senador e Vorcaro durante as negociações do financiamento. O candidato nega irregularidades e afirma que o projeto foi bancado com recursos privados, sem uso de dinheiro público.

Flávio Bolsonaro também foi atingido por uma onda de publicações nas redes sociais que atribuíam a ele o desejo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O senador nunca defendeu publicamente nem encampou propostas com esse objetivo.

Do lado petista, crises internas também marcaram a campanha. E as investigações sobre as relações de Lulinha e do ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, com a lobista Roberta Luchsinger passaram a ser exploradas pelos adversários.

Os embates envolvendo o Supremo também ganharam espaço. Na reta final, a campanha de Flávio passou a explorar principalmente a relação do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro e transformou o magistrado em personagem recorrente dos ataques dirigidos ao presidente

Disputas na Justiça.

Flávio acionou o TSE para retirar as publicações. O ministro André Mendonça chegou a determinar a exclusão de mais de mil links e de futuras reproduções da acusação. A decisão foi depois derrubada pelo ministro Flávio Dino, do STF, e passou a ser alvo de críticas da campanha bolsonarista.

A polêmica religiosa ocorreu justamente em uma eleição na qual os dois candidatos tentavam avançar sobre grupos em que enfrentavam dificuldades. Lula buscou ganhar espaço entre evangélicos e fez do combate às bets uma das apostas para alcançar principalmente mulheres desse segmento.

Flávio, por outro lado, tentou reduzir a rejeição entre mulheres e eleitores de centro e apresentar uma imagem mais moderada do que a associada ao pai.

O senador também concentrou a reta final no Sudeste e intensificou o pedido de voto útil, na tentativa de chegar ao segundo turno com uma base maior e em melhores condições para atrair os partidos que ficaram fora da disputa.

Lula chegou aos últimos dias tentando preservar sua vantagem entre os eleitores de menor renda e evitar que a oposição concentrasse votos em Flávio ainda no primeiro turno.

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