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Política

Ao completar 100 dias de cadeia, Beto Mariano é promovido e tem salário aumentado

Fiscal de obras da Agesul, investigado por corrupção, passa a receber R$ 21,4 mil por mês

17 agosto 2018 - 15h05Por Celso Bejarano

Ex-deputado estadual, ex-prefeito de Paranaíba e servidor de carreira da Agesul (Agência Estadual de Gestão e Empreendimentos), setor que cuida das obras em Mato Grosso do Sul, Wilson Roberto Mariano de Oliveira, que nesta sexta-feira (17) completou 100 dias de prisão, ganhou um presentaço. Decreto estadual, o de número 1.274, de 12 de junho passado, concedeu-lhe promoção funcional e, agora, sua remuneração mensal fixa alcança R$ 21,4 mil.

Não há irregularidade na medida, publicada na edição desta sexta do Diário Oficial e que acontece pelo fato dele ainda ser servidor público. Ele ainda não foi julgado e só teria complicações financeiras com a remuneração caso for condenado e exonerado pelo Estado.

Beto Mariano, como é conhecido, saiu da classe G e foi H, a sigla dos servidores estaduais com os mais polpudos salários. Engenheiro Civil e afastado do cargo por determinação da atual gestão, Mariano, na carteira de trabalho, ocupa o cargo de Fiscal de Obras da Agesul.

Seu último salário, o de julho, segundo o Portal da Transparência do Estado de MS, depois das deduções obrigatórias, foi de R$ 14.457,02.

E foi na Agesul que, segundo investigações da Lama Asfáltica, operação da Polícia Federal deflagrada em julho de 2013, que solidou o maior esquema de corrupção envolvendo políticos, empresários e servidores de alta patente já descoberto em Mato Grosso do Sul.

A operação, que envolvera a PF, Ministério Público Federal, Receita Federal e Controladoria Geral da União, revelou que a trama da corrupção, como superfaturamento de obras, fraudes em licitação e lavagem de dinheiro, funcionou na gestão do também preso, o ex-governador André Puccinelli (MDB – 2007-2014).

Ainda de acordo com a apuração, a Agesul era, de fato, comandada pelo então secretário de Obras do período, Edson Giroto, outro preso. Giroto validava, segundo a investigação, superfaturamentos de obras ou recebimentos por obras, como pavimentação de estradas estaduais sem que estas estivessem terminadas.

Giroto, o cunhado Flávio Garcia Scrocchio, Beto Mariano e o empreiteiro João Amorim, da empresa Proteco, que pavimentava estradas e vias urbanas para o Estado e tocava grandes obras, como a do Aquário Pantanal, foram detidos em 8 de maio por determinação do STF (Supremo Tribunal de Justiça). Todos viraram réus por suposta participação no esquema investigado na Lama Asfáltica.

A filha de Giroto, a médica endocrinologista Mariane Mariano, também foi incriminada no episódio está presa em regime domiciliar por cuidar de filho pequeno.

O recurso pela libertação dos implicados no caso está no STF.

Puccinelli foi preso no dia 20 de julho passado e a apelação pela soltura já foi negada pelo STF. Agora, seus defensores tentam a liberdade no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).