O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, o Papy (PSDB), cobrou investimentos e renovação da frota do transporte coletivo após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a venda integral do Consórcio Guaicurus para a Maas Administração e Participações Ltda., empresa do Grupo HP Mobilidade.
Para o parlamentar, a mudança no controle da concessionária representa um desdobramento da CPI do Transporte Coletivo, que teve o relatório final entregue em setembro de 2025. Ele destacou que a investigação contribuiu para a abertura de um processo de intervenção no consórcio, oficializado pela Prefeitura de Campo Grande em junho deste ano.
“O desdobramento dessa CPI é justamente a intervenção, que desdobrou na venda do Consórcio Guaicurus e, agora, o Cade autorizou a venda”, afirmou Papy.
Apesar do avanço na negociação, o vereador ressaltou que a transferência de controle não será suficiente para melhorar o serviço se não houver investimentos concretos. Segundo ele, o próximo passo é a Prefeitura receber o planejamento da nova empresa, com as medidas previstas para modernizar o sistema.
“Tanto nós da Câmara, quanto da prefeitura, estamos pactuados que essa venda só é benéfica para o cidadão de Campo Grande, se ela vier junto de um grande investimento, de novos ônibus. Não tem como falar em melhoria do transporte se nós não renovarmos a frota, que está caindo aos pedaços”, declarou.
CPI recomendou troca de 197 ônibus
A CPI do Transporte Coletivo analisou documentos financeiros, operacionais e contratuais da concessão, além de realizar mais de 50 horas de oitivas públicas. O relatório final, com mais de 800 páginas, reuniu depoimentos, gráficos e dados técnicos para apontar falhas na prestação do serviço e possíveis descumprimentos contratuais.
Entre as recomendações apresentadas pelos vereadores estava a substituição imediata de 197 ônibus com idade acima do limite previsto no contrato.
O documento também recomendou a intervenção no Consórcio Guaicurus para garantir o cumprimento das obrigações contratuais. A medida foi oficializada pelo Executivo municipal em junho de 2026, com justificativas relacionadas a problemas operacionais, financeiros e contratuais.
Intervenção tem prazo de até 180 dias
Os interventores receberam prazo de até 180 dias para concluir os trabalhos. Metade desse período foi reservada para a apresentação de um relatório preliminar sobre a situação do sistema de transporte coletivo.
Com a aprovação da venda pelo Cade, a expectativa agora é que a nova controladora apresente o planejamento de investimentos e as medidas para renovar a frota e melhorar o atendimento aos passageiros.
Para Papy, a prioridade deve ser garantir que a mudança empresarial se traduza em melhorias efetivas para quem depende diariamente dos ônibus em Campo Grande.








