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Política

03/09/2018 07:00

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Odilon emprestou viaturas e até armas para filme em homenagem à carreira, diz ex-assessor

Ex-servidor da Justiça Federal, demitido, disse desconfiar que juiz aposentado financiou obra

Ex-diretor de secretaria da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Jedeão Oliveira, em depoimento que está sendo examinado pelo MPF (Ministério Público Federal) para constatar se a declaração tem a importância de uma delação premiada, atira suspeita acerca do financiamento do filme “Em nome da lei”, obra que retrata a vida do juiz federal aposentado Odilon de Oliveira.

Para o magistrado aposentado, as afirmações de Jedeão foram dadas agora pelo período da eleição. Ele é pré-estreante na política: assim que aposentou-se no segundo semestre do ano passado, ele filiou-se a PDT e candidatou-se ao governo de Mato Grosso do Sul. 

No testemunho que preencheu 23 páginas, lavrado num cartório de Bauru, interior de São Paulo, depois entregue no MPF em Campo Grande, Jedeão diz ser primo distante de Odilon e que os dois trabalharam juntos na Justiça Federal por 22 anos – de 1995 a 2016. 

Foi o juiz aposentado quem arranjou o emprego a Jedeão. A relação profissional dos dois estremeceu-se em julho de 2016, mês que fora descoberto o sumiço de R$ 11 milhões, fortuna apreendida dos investigados por crimes federais e que deveriam ser depositados numa conta judicial.

Como Jedeão era o chefe da secretaria, era dele a responsabilidade pelo cofre que, segundo ele, ficava dentro do gabinete do juiz. O ex-diretor fora demitido e, sozinho, acusado pelo sumiço da soma. Jedeão, que não mora mais em Campo Grande e resolveu lançar dúvidas acerca da integridade administrativa do magistrado.

Num dos trechos do depoimento, Jedeão narra uma período que assessorou diretamente o juiz porque uma secretária que executava a tarefa estava licença, veja à integra da declaração:

O Filme em Em Nome da Lei:

O auge da exposição midiática do juiz Odilon, decerto ocorreu quando do lançamento do filme “Em Nome da Lei”, onde contava uma história de ficção, baseada na história da vida do magistrado.

O movimento que esse filme gerou na 3ª Vara foi visível. Todos percebiam que o juiz Odilon estava muito empenhado na produção do filme. Até interferência junto às Polícias Federal e Rodoviária Federal, para que cedessem viaturas e armas de verdade para a filmagem o juiz fez. Isso acabou por criar certo desconforto entre essas instituições. Percebia-se a irritação do juiz quando não era atendido. Mas, isso era o que era percebido por todos na Secretaria da 3ª Vara.

Foi por conta da sessão de avant premier do filme que o declarante [Jedeão] teve mais acesso ao que estava se passando. Aquela sessão especial de lançamento ocorreu em meados do mês de abril de 2016 e, naquela semana que antecedeu ao lançamento, a secretária do Dr. Odilon, Cláudia Helena Souto Bittencourt, não estava indo trabalhar, por conta de grave enfermidade que sua mãe enfrentava (estava internada e faleceu logo em seguida).

E como o juiz Odilon era um verdadeiro analfabeto digital, não sabia nem ligar o seu próprio computador, tudo era feito pela sua secretária, o declarante foi destacado para secretariar, tomando as providências finais referentes aquele lançamento. Tinha lista de convidados da sessão de pré-estreia que tinha que ser confeccionada e enviada para a produtora no Rio de Janeiro e tinha outros expedientes mais.

Num desses dias de trabalho, quando a declarante estava revisando a lista de convidados, chegou um e-mail para o magistrado (o declarante não se recorda se foi em seu e-mail corporativo ou particular) que parecia ser da produtora, tecendo os agradecimentos pelo apoio prestado pelo magistrado, para a produção do filme.

Que apoio seria aquele? Ficou a pensar o declarante. Ao abrir o e-mail, para que o magistrado pudesse ler, estava evidente que se tratava de um grande apoio dado pelo magistrado. Teria sido apoio financeiro para a produção do filme?

Seria por isso que o magistrado mantinha em seu gabinete aquele cofre à prova de fogo? Teria saído recursos daquele cofre para bancar o filme?

Nenhum outro gabinete era provido de cofre, igual aquele. E ali naquele cofre eram guardados valores em moeda estrangeira, principalmente para que fossem convertidos em reais.

Com todo esse conjunto de fatores que mostram que o juiz Odilon de Oliveira não é de fato esse herói brasileiro, que tenta aparentar ser, e que nunca esteve a serviço da justiça, o declarante está sendo processado sozinho.

O filme

O filme em questão foi lançado em 2016 e teve a direção de Sergio Rezende. No longa, o juiz aposentado Odilon de Oliveira julga a quadrilha liderada por Gomez, personagem interpretado pelo ator  Chico Diaz. O magistrado é auxiliado por Alice, procuradora vivida pela bela e talentosa Paolla de Oliveira. Já Odilon é interpretado pelo também excelente ator Mateus Solano.

Outro lado

Odilon de Oliveira reagiu as declarações de Jedeão, dizendo ser inverídico tudo o que ele declarou e que o episódio não passa de uma manobra política por ser candidato ao governo. 

Ainda sobre Jedeão, Odilon de Oliveira segue dizendo que ele não tem credibilidade, já que é réu confesso. Odilon acredita que o fato de o ex-servidor ter sido exonerado a pedido dele, o fez lançar suspeitas sobre juízes e servidores da vara, além da PF e MPF, e acusá-lo de um modo que considera criminoso.

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