A possível realização da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) em Campo Grande pode gerar uma movimentação econômica superior a R$ 14 milhões na Capital sul-mato-grossense.
A confirmação do Brasil como sede do evento depende da tramitação no Senado, sob relatoria do senador Nelsinho Trad (PSD), que preside a Comissão de Relações Exteriores.
Prevista para ocorrer entre os dias 23 e 29 de março de 2026, a conferência deve reunir representantes de 133 países, com a participação de mais de dois mil especialistas e cerca de três mil pessoas ao longo da semana. O projeto que valida o acordo internacional, o PDL 50/2026, é a etapa decisiva para garantir a realização do evento no país.
Segundo o senador, a importância da COP15 vai além do encontro em si. “O que está em jogo não é apenas a realização de um evento. É o posicionamento estratégico de Mato Grosso do Sul no cenário internacional”, afirmou. Ele também destacou o papel ambiental da conferência. “Estamos colocando o Pantanal e Campo Grande no centro de uma discussão global, mostrando que nosso Estado tem capacidade de liderar esse debate.”
O impacto econômico é um dos principais pontos destacados. A estimativa é de que cada visitante gaste, em média, R$ 684 por dia na cidade. Ao longo dos sete dias de evento, a circulação direta de recursos pode ultrapassar os R$ 14 milhões, beneficiando setores como hotelaria, gastronomia, transporte e comércio.
Para viabilizar a estrutura, o Governo do Estado prevê investimento de cerca de R$ 10 milhões. Já o governo federal deve destinar aproximadamente R$ 86 milhões, voltados à logística, segurança, tradução simultânea e apoio às delegações internacionais.
Criada em 1979, a Convenção sobre Espécies Migratórias é o único tratado global voltado exclusivamente à proteção de animais que cruzam fronteiras ao longo do ciclo de vida. Atualmente, mais de 130 países e a União Europeia participam do acordo, que reúne cerca de 1.189 espécies listadas, entre aves, mamíferos, peixes, répteis e até insetos, muitas delas presentes no território brasileiro.
Além do impacto econômico, a COP15 também tem relevância diplomática. Diferente de outras conferências ambientais, o encontro foca na cooperação internacional para proteção de rotas migratórias e habitats, exigindo articulação entre diversos países.
A estrutura do evento deve ser distribuída em diferentes pontos da cidade. A chamada “Blue Zone” será instalada no Bosque Expo, enquanto atividades paralelas estão previstas para o Bioparque Pantanal, a Casa do Homem Pantaneiro e o Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.
O setor hoteleiro e o transporte aéreo já iniciaram mobilizações para atender à demanda. Atualmente, a taxa média de ocupação dos hotéis na Capital gira em torno de 54%, número que deve crescer significativamente durante o período da conferência.
Para o senador, sediar a COP15 no Centro-Oeste reforça a posição do Estado no debate global. “Defendemos desenvolvimento, geração de renda e sustentabilidade. Essa é a mensagem que queremos levar ao mundo”, concluiu.








