Moradores e comerciantes estão revoltados com aumento do IPTU para 2026, que em alguns casos vão de 20% a 400% em relação ao tributo cobrado no ano anterior, em Campo Grande.
O drama dos empresários foi trazido pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande, a CDL. Foi observado que o reajuste para mais foi bem maior que o anunciado pela prefeita Adriane Lopes (PP), de 5,32% - correspondente à inflação oficial do período anterior.
Revolta
Ainda segundo reportado, a constatação do aumento abusivo gerou reação na entidade, que passou a receber manifestações do comércio, donos de imóveis e aposentados. Estes últimos, pela legislação, deveriam estar isentas do imposto. Na avaliação da Câmara, a alta exorbitante compromete o planejamento financeiro de empresas e amplia a insegurança jurídica do tributo.
O presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, entende que o aumento efetivamente praticado contradiz o discurso da gestão Adriane.
''O decreto fala em reposição inflacionária, mas o que chega ao contribuinte são valores muito superiores. Isso afeta diretamente o comércio, que já enfrenta custos elevados, juros altos e consumo retraído'', afirma.
Mais caro
A Câmara de Lojistas cita casos de imóveis comerciais e residenciais com reajustes superiores a 20% sem qualquer alteração estrutural, além de situações extremas em que o imposto quase quadruplicou. Faixa etária que seria isenta recebeu carnês com valores integrais.
Ignorou a Câmara
A legislação municipal, reflete a entidade, permite que o Executivo faça apenas a correção inflacionária do IPTU por decreto. Qualquer aumento real, decorrente de atualização da planta genérica de valores ou reavaliação imobiliária, exige aprovação da Câmara Municipal.
''O comércio não é contra o pagamento de impostos, mas exige previsibilidade, legalidade e coerência. Quando o reajuste ultrapassa a inflação e não há debate público, quem paga a conta é o empresário, o consumidor e a economia da cidade'', destaca Adelaido.
A CDL igualmente avalia que o aumento do IPTU tende a ser repassado aos preços de produtos e serviços, pressionando ainda mais o custo de vida.
Procurada, a Prefeitura de Campo Grande informou que irá reavaliar os carnês que apresentarem reajustes acima do previsto no decreto e orientou os contribuintes a formalizarem contestação administrativa. A CDL, no entanto, defende uma revisão ampla e transparente do processo de cobrança, com esclarecimentos públicos sobre os critérios utilizados.
A entidade também cobra atuação mais efetiva da Câmara Municipal. “O Legislativo não pode se omitir diante de um impacto dessa magnitude. O IPTU é um dos tributos que mais afetam o ambiente de negócios e a permanência das empresas no Centro e nos bairros”, conclui o presidente.







