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Política

Deputado de MS acusa Bolsonaro de 'negociata' política e barganha de dinheiro por voto

Ministro de Bolsonaro teria feito a proposta; Dagoberto e Rose Modesto repudiam eventual barganha

25 abril 2019 - 09h30Por Celso Bejarano, de Brasília

Reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo sustentando que o governo de Jair Bolsonaro impôs barganha pela aprovação da reforma da Previdência, causou indignação e reprovação de deputados federais de Mato Grosso do Sul. Na notícia, é dito que o governo propôs aos deputados federais a liberação de R$ 40 milhões em emendas parlamentares de 2020 a 2022 como troca pelo voto sim à proposta.

A oferta teria sido anunciada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni na casa do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), segundo o jornal. A reunião estava repleta de políticos e a eventual permuta, diz o jornal, foi confirmada por lideres dos partidos DEM, PP, PSD, PR, PRB e ainda do Solidariedade.

“Vejo com muita indignação. Logo ele [Bolsonaro] que diz sempre ser contra o chamado toma lá dá cá. É muito triste isso. Caso confirmado a denúncia o Congresso volta à política velha, muito combatida antes pelo presidente”, afirmou ao TopMidiaNews, o deputado federal Dagoberto Pereira, do PDT, que é contrário à proposta. Da bancada sul-mato-grossense, só ele e o deputado federal Vander Loubet, do PT, refutaram à ideia da reforma. A maior parte do restante querem a reforma, mas com mudanças.

Emenda parlamentar é um meio de o deputado ou senador destinar recursos federais para determinada obra em seu estado. Um exemplo: deputado da região de Dourados apresenta uma emenda para a construção de um posto de saúde. É fixado o valor, e o governo libera a verba. Ou seja, teoricamente, nenhum centavo cai no bolso do político e, sim, o recurso banca a obra favorável à população.

No caso, o parlamentar obtém ganhos políticos por mostrar a seus eleitores que é atuante e preocupado com os problemas da região.

Para Dagoberto Nogueira, se provada a notícia do jornal, os eleitores devem ficar de olho “naqueles que votaram na reforma, pois eles são os deputados da negociata”.

A também deputada federal sul-mato-grossense Rose Modesto, do PSDB, vice-líder do partido na Câmara Federal, disse desconhecer a troca da liberação de emendas pela aprovação da reforma.

“Sou totalmente contra. É prerrogativa dos deputados federais em levar dinheiro para o Estado, isso eu vou lutar com todas as minhas forças. Meu voto pela reforma não tem nada a ver com a liberação de emenda”, contestou a parlamentar.

“A barganha, em qualquer situação de troca, jamais deve ocorrer, é uma posição minha. Do jeito que a reforma está prevista, sou contra. Só aprovo com ajustes, vamos batalhar para isso”, afirmou a deputada.

Os deputados federais Fábio Trad, do PSD e Beto Pereira, do PSDB, também afirmaram que desconhecem a eventual barganha proposta pelo governo de Bolsonaro. Já o deputado doutor Luiz Ovando, do PSL, partido do presidente da República, declarou não crer na eventual proposta do ministro Lorenzoni.

A proposta da reforma da Previdência foi aprovada como constitucional pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Agora, ela segue para uma Comissão Especial, depois para votação em Plenário pelos 513 deputados federais.