O vereador Professor Juari (PSDB), presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal de Campo Grande, minimizou denúncias de assédio moral em escolas da rede municipal durante fala em plenário e anunciou que o colegiado vai solicitar investigação formal à Semed (Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande).
Segundo o parlamentar, diretores escolares enfrentam uma rotina intensa nas 207 unidades da rede e permanecem de plantão inclusive em fins de semana e feriados para resolver problemas estruturais e administrativos. Ele afirmou que tem defendido, junto ao Executivo, a revisão da gratificação paga a esses profissionais.
Ao comentar relatos apresentados por outro vereador com base em queixas de servidoras, Juari disse não acreditar que diretores, que são concursados e professores, pratiquem assédio moral, mas ressaltou que a acusação é grave e precisa ser apurada. “Não pode todos os diretores e diretoras pagarem se existe em uma escola”, declarou.
O vereador acrescentou que a Comissão de Educação vai encaminhar ofício à Semed pedindo a abertura de investigação para verificar a veracidade das denúncias. Para ele, é necessário cautela ao tratar de acusações em plenário, a fim de evitar generalizações que prejudiquem a imagem de servidores.
Juari também elogiou o trabalho dos gestores escolares, afirmando que eles atuam em defesa da comunidade escolar, sejam professores, assistentes e equipes administrativas, e que a população merece informações apuradas.
Acusações
O relato mais recente de assédio moral teria sido registrado na Emei Clebe Brazil Ferreira, no bairro Itamaracá, onde uma professora de educação infantil tem sido alvo de perseguição institucional, humilhação profissional e cerceamento do direito de defesa, vividos ao longo de 2025 na unidade.
Conforme o mostrado pela reportagem, ela passou o ano passado sendo questionada sobre sua prática pedagógica e características pessoais, sem receber orientações claras ou respaldo institucional.
A professora relatou ainda ter sido submetida a constrangimentos públicos, inclusive diante de colegas. Além disso, segundo ela, chegou a ouvir da superiora que “não era mais desejada na escola”.
Como consequência do ambiente vivido, a professora afirma que desenvolveu crises de ansiedade e pânico, passando a apresentar sintomas físicos. Desde outubro de 2025, ela está em tratamento psicológico, psiquiátrico e médico, fazendo uso de medicação.
“É uma humilhação sem fim. O professor convocado vive na corda bamba, com medo de falar, de se defender, porque sabe que pode perder o emprego”, desabafa. No relato, ela afirma que sua situação não é isolada e que muitos professores passam por experiências semelhantes, mas permanecem em silêncio por medo de represálias.








