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Política

Lava Jato investiga escritório ligado a Delcídio e Nelsinho

11 dezembro 2015 - 07h00Por Diana Christie

Desmembramento da Lava Jato, a Operação Crátons cumpriu mandados de busca e apreensão no escritório de advocacia Raul Canal e Advogados Associados, com sede em Brasília e ramificações em diversos estados. A advocacia seria ligada ao senador Delcídio do Amaral (PT), preso em 25 de novembro, e ao ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB), também envolvido na Operação Lama Asfáltica.

Conforme o site oficial do próprio escritório, o Raul Canal & Advogados Associados é sócio do escritório Baruffi, Sunakozawa, Prado, Gusman e Advogados Associados, localizado nos municípios de Campo Grande e Dourados, que é de responsabilidade de Lúcio Flávio Joichi Sunakozawa, presidente do diretório regional do PROS desde maio de 2015, mesmo partido de Raul Canal, que possui uma cadeira de secretário na Executiva Nacional.

Advogado Lúcio Flávio Joichi Sunakozawa - Foto: Reprodução/Youtube 

Legenda de Canal e Sunakosawa, o PROS foi o primeiro partido a apoiar a candidatura de Delcídio do Amaral para o Governo do Estado. Durante a posse na presidência do diretório regional, que inclusive contou com a presença do advogado Raul Canal, Sunakosawa destacou que deixou de disputar o cargo de deputado federal para apoiar integralmente a campanha do petista.

Executiva do PTB: Vereador Edson Shimabukuro, Paulo Estevão, Pedrinho Espina, Nelsinho Trad, Andréa Miranda, Adaltro Albinelli e Maria de Fátima Cardoso - Foto: Denise Nantes/Agora MS

O escritório de Raul Canal também é associado ao escritório de advocacia Paulo Estevão da Cruz e Souza. Filho do ex-presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado) e ex-deputado federal de Mato Grosso, Horácio Cerzósimo, o advogado Paulo Estevão é vice-presidente do PTB, partido que acolheu e entregou a direção estadual para o ex-prefeito Nelsinho Trad (antes no PMDB), abrindo caminhos para uma possível candidatura ao Executivo de Campo Grande. 

Escritórios associados em Mato Grosso do Sul a Raul Canal - Foto: Reprodução

A Operação

A Crátons foi deflagrada nesta terça-feira (8) para combater a extração e comercialização ilegal de diamantes no “Garimpo Lage”, localizado na reserva indígena Parque do Arupuanã, em Rondônia, da etnia cinta-larga. Conduzida pela Polícia Federal e pelo MPF (Ministério Público Federal), a investigação teve origem a partir de informações sobre as atividades do doleiro Carlos Habib Chater.

De acordo com o jornal Estadão, participavam do esquema de extração ilegal das pedras preciosas, empresários, comerciantes, garimpeiros, índios que mantinham uma cooperativa no local e advogados. Chater foi o primeiro preso na Lava Jato, em março de 2014, e acabou condenado a cinco anos e cinco meses de prisão por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e tráfico de drogas.

Conforme a PF, ele era o proprietário do Posto da Torre, em Brasília, que era utilizado para lavagem de dinheiro, evasão de divisas e pagamentos de propinas a políticos e funcionários públicos que realizavam transações fraudulentas na Petrobras. O Posto teria movimentado R$ 124 milhões, dos quais R$ 10,8 milhões foram confirmados em laudo da PF, que analisou o período entre 2007 e 2014. Foram movimentações por meio de 375 contas bancárias ainda em investigação.