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ENTREGAS

Luiz Pedro desiste de candidatura, ‘some do mapa’ e deixa equipe sem receber

Vítimas estimam prejuízo superior a R$ 30 mil; candidatos a vereador estão sem material de campanha

30 AGO 2016
Diana Christie
09h28min
Foto: André de Abreu

Após desistir da candidatura a prefeito de Campo Grande, o empresário Luiz Pedro Guimarães (PROS) teria viajado para fora do país, deixando diversas dívidas de campanha sem pagamento. Segundo denúncia apurada pelo TopMídiaNews, o suposto calote é superior a R$ 30 mil, além de atrasar a campanha de candidatos a vereador do partido, que ainda não possuem nem mesmo propaganda para a televisão e rádio.

Uma das vítimas, que preferiu manter a identidade em sigilo, explica que não chegou a firmar contrato com o empresário, mas já havia disponibilizado duas pessoas da sua equipe para fazer o trabalho de divulgação do candidato nas redes sociais. Ele calcula prejuízo de R$ 30 mil, mas aponta outras pessoas que ficaram sem receber.

“O mais prejudicado foi o marqueteiro, mas tinha jornalista, arte finalista web designer, cantores que fizeram o jingle e sem falar que os maiores prejudicados que são os candidatos a vereadores que não tem programa para levar as suas mensagens na rádio, TV e nas mídias sócias. Estão fazendo campanha simplesmente na sola do sapato, sem ter direção”, enumera.

Segundo a vítima, vários materiais já estavam prontos. “Na produtora tinham feito vídeos, jingle, fotografias, acompanhamento. Treinamento de uma série de coisas que a mídia exige para um candidato se portar como candidato. Ele inventou uma crise no casamento, não apareceu aqui, mandou uma pessoa entregar sua carta de renúncia, não teve dignidade de mostrar seus motivos”, relata.

Pouco antes de Luiz Pedro renunciar, fotos de suposto relacionamento extraconjugal do candidato começaram a circular nas redes sociais, mas a vítima não acredita que este seja o motivo real da desistência. “Ele inventa um adultério e some. A foto existiu, caiu na rede, mas ele largou o partido, seus colaboradores, sem dar satisfação. Inclusive, o marqueteiro tem uma filha de cinco meses de nascimento e ele simplesmente usou essa pessoa para tirar proveito”.

Outra pessoa, que também trabalhou na pré-campanha do candidato, mas não quer se identificar para evitar retaliações, afirma que entre quatro e cinco jornalistas ficaram sem receber. “Eu acreditei no cara e ele simplesmente nos usou. Dizem que foi um pagamento de R$ 600 mil que fez ele tirar o time de campo. Ficou mal com a família foi uma desculpa. Foi uma coisa que R$ 5 mil ou R$ 6 mil, que é o que ela queria, resolvia. Ele estava indo bem nas pesquisas”, conta o assessor.

O presidente municipal do PROS, Abrahão Malulei Neto, informa que não teve conhecimento sobre suposta dívida de campanha, mas fala das dificuldades que enfrentam os 23 candidatos a vereador lançados pelo partido. Classificando o episódio da renúncia como “fiasco”, ele torce para que o novo candidato da legenda, o ex-deputado estadual Lauro Davi, consiga recuperar o tempo perdido.

“Luiz Pedro se tornou candidato porque disse que tinha estrutura, tinha dinheiro para bancar a campanha dele e dos vereadores. Ele sabia desde o início que não teria investimento, não teríamos fundo partidário. Talvez uma ajuda em papel porque o partido comprou uma gráfica em Brasília. Mas falava em dinheiro, ele sumia, fomos apertando e a campanha atrasou. O tempo perdido pelos partidos e pelos vereadores, o prejuízo político é incalculável. Ele ficou enrolando e, na última semana antes de desistir, ele sumiu”, afirma.

Citada pelas duas vítimas, a produtora, através de uma representante, declarou que nenhum contrato com o candidato foi fechado, não resultando em prejuízo financeiro. No entanto, funcionária ouvida na condição de anonimato admitiu que diversos testes de imagens e vídeos foram realizados, mas a amostra foi realizada para que Luiz Pedro avaliasse se gostava ou não do trabalho da empresa.

Rogério Alexandre Zanetti, também da produtora, explica que a empresa deve continuar na campanha do PROS e que a negociação comercial ocorre diretamente com a sigla. Segundo ele, até mesmo o contato com o novo candidato, Lauro Davi, é restrito, apenas sobre ajustes para o programa eleitoral.

“Já tinha um processo de criação bastante adiantado, mas a questão da candidatura, se continua ou não, é com o partido. A agência faz assessoria do PROS e amanhã deve colocar o programa no ar, teve problema, atrasou a produção, mas está normal porque a nossa conversa é diretamente com o partido. Até ouvi falar, mas nem comentamos isso, só a questão de trabalho”, justifica.

A reportagem tentou entrar em contato com o ex-candidato por telefone para que ele esclarecesse as denúncias, mas ele não foi localizado.

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