A eleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul terminou com uma situação que chama atenção: candidatos com votação superior à de alguns dos 24 eleitos ficaram fora da composição da Casa. O resultado é consequência do sistema proporcional, no qual as cadeiras são distribuídas primeiro entre partidos e federações e, depois, preenchidas pelos candidatos de cada grupo.
O caso de maior votação entre os que não aparecem como eleitos é o de Jamilson Name (PP). Ele recebeu 35.211 votos e aparece em 12º lugar na votação individual, à frente de candidatos que conquistaram uma cadeira. No resultado oficial, porém, Jamilson consta como “não eleito”. A situação está relacionada ao registro da candidatura, que foi considerado sub judice pelo TSE dois antes da votação.
A situação de Jamilson pode, inclusive, provocar mudanças na composição da Assembleia. Caso os votos sejam posteriormente validados pela Justiça Eleitoral, será necessário fazer uma nova totalização. A projeção divulgada durante a apuração indicava que o PP/União poderia ganhar uma cadeira, enquanto o PL poderia perder uma.
Quem ficou fora pela distribuição das vagas
Entre os candidatos sem cadeira e sem a mesma situação judicial de Jamilson, Luiza Ribeiro (PT) foi a mais votada. Ela recebeu 25.472 votos, ficou em 20º lugar na votação geral e terminou como suplente. A petista teve mais votos que quatro candidatos que foram eleitos: Márcio Fernandes (PL), com 23.122; Renato Câmara (Republicanos), com 20.976; Lídio Lopes (Avante), com 20.801; e Pedrossian Neto (Republicanos), com 19.516 votos.
Na sequência aparece Júnior Mochi (MDB), com 23.721 votos. Ele ficou em 22º lugar na votação individual, mas não conseguiu uma das 24 cadeiras. O MDB elegeu apenas André Puccinelli, que recebeu 40.602 votos.
Outro caso é o de Professor Marcelo Miranda (PP), que recebeu 23.112 votos e terminou como suplente. Ele teve votação maior que Márcio Fernandes, Renato Câmara, Lídio Lopes e Pedrossian Neto, todos eleitos.
O motivo está no funcionamento das eleições proporcionais. Para deputado estadual, os votos são considerados primeiro para definir quantas cadeiras cada partido ou federação terá direito. Depois, as vagas conquistadas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro de cada legenda ou federação. O cálculo envolve o quociente eleitoral, o quociente partidário e a distribuição das sobras.
Por isso, a lista geral de votação não determina sozinha quem será eleito. É possível que um candidato com menos votos individuais conquiste uma cadeira enquanto outro, mais votado, fique como suplente.








