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sexta, 28 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

Mario Cesar diz que vereadores pediam 'coisas' durante processo de Bernal

23 setembro 2015 - 16h39Por Rodson Willyams

Em depoimento ao promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), o presidente afastado da Câmara Municipal de Campo Grande, Mario Cesar, do PMDB, confirmou que vereadores estavam pedindo 'coisas' para votarem 'de tal maneira' no processo que retirou o prefeito Alcides Bernal do poder em 2014.

Conforme consta no depoimento do Termo de Declaração, que o TopMídia News teve acesso com exclusividade, 'o declarante [Mario Cesar] estava confiante de que o resultado da votação seria a cassação de Alcides Bernal'. Ele foi flagrado em conversas obtidas pela Polícia Federal, durante grampo em escuta telefônica, na Operação Lama Asfáltica.

Ao promotor Marcos Alex, Mario Cesar confirmou que os vereadores citados estariam 'pedindo coisas para eles para votarem de uma outra forma', durante o processo de cassação, mas ressaltou que não sabia o que exatamente os parlamentares estariam pedindo. A conversa era com João Amorim, pivô da Lama Asfaltica.

O presidente afastado ainda afirmou ao coordenador do Gaeco que poderiam ser 'espaços' na nova administração, que seria comandada pelo prefeito afastado Gilmar Olarte (do PP, por liminar). "O declarante confirma que também se trata de conversa entre o declarante e João Amorim; que confirma que no diálogo, externou certeza de que os vereadores Carlão [PSB], Alceu Bueno [ex-vereador], Jamal [ex-secretário de Saúde de Olarte] e Shimabukuro iriam votar pela cassação de Alcides Bernal".  

Marcos Alex também apresou outra gravação ao presidente feito pela Polícia Federal no dia da sessão que cassou o mandato de Alcides Bernal, em que Mario Cesar conversou com o empresário João Amorim e o mesmo confirmou o diálogo com o empreiteiro.

PMDB

Assim como o TopMídia News já havia noticiado, Mario Cesar comentou sobre a relação do partido com o empresário João Amorim. Ao promotor, o presidente revelou que, além da administração de Bernal, o segundo desafeto do empreiteiro seria o ex-secretário de Infraestrutura de Gilmar Olarte, Semy Ferraz, e que Amorim não estava contente com o trabalho do titular da pasta.

Durante escutas, o empresário falava a Mario Cesar para que o partido cobrasse o prefeito afastado para que substituísse o secretário da época.  No depoimento, o presidente declarou que 'o PMDB tinha interesse na pasta, sendo que iria ser deliberado um nome para ocupar a Secretaria Municipal de Obras'. Porém, o pedido para trocar o secretário não foi aceito por Olarte.

Mario Cesar ainda confirmou ao promotor sobre outra conversa que teve com João Amorim, sobre interesses partidários do PMDB. O empresário teria sugerido que a sigla assumisse toda a Educação Infantil do município. Porém, o presidente deixou claro que o empreiteiro, embora falasse de interesses do partido, não teria nenhuma ligação com o PMDB. No entanto, afirma que "no diálogo ambos estão tratando sobre espaços que o PMDB queria ocupar na gestão de Gilmar Olarte; que na oportunidade, interessava ao PMDB algumas Secretarias Municipais, mas esclarece que nenhuma delas foi entregue ao partido".

Ao fim do depoimento, o vereador ainda relata ao promotor que: "encaminhou seu voto na sessão de julgamento que cassou o mandato de Alcides Berna [foi] de acordo com sua convicção; que não houve vantagem ou promessa de vantagem para votar pela cassação; que tampouco ofereceu, a pedido de João Amorim, qualquer vantagem a vereadores; que tem intenção de apresentar documentos que retratam todos os acontecimentos narrados neste termo; que autoriza o acesso a seus dados bancários e fiscais, caso haja necessidade para a investigação".