Apresentada pela Prefeitura como uma medida para economizar e ampliar investimentos, a reforma administrativa aprovada no final de 2024 voltou a ser questionada na Câmara Municipal de Campo Grande. Durante audiência pública de prestação de contas realizada na noite desta quarta-feira (30), o vereador Otávio Trad (PSD) afirmou que os relatórios posteriores à mudança não demonstraram a melhora esperada nas despesas com pessoal.
O parlamentar lembrou que votou favoravelmente à proposta porque acreditava que a redução e a reorganização da estrutura administrativa ajudariam a conter os gastos.
“Nós votamos com a tendência de que essa despesa com o pessoal, ela sofresse, ao mínimo, uma alteração de lá para cá. E não é o que aconteceu”, declarou.
A expectativa de economia foi divulgada pela própria gestão, detalhando uma redução de 30% na estrutura administrativa e nos custos associados à folha e às instalações. A administração sustentava que a reorganização permitiria direcionar mais recursos a serviços essenciais.
Na audiência, Otávio citou percentuais de 55,85% e 55,23% de comprometimento da receita com pessoal nos dois primeiros quadrimestres de 2025, posteriores à reforma.
Também destacou a manutenção de um decreto de contenção de gastos em 2026 e perguntou se a mudança efetivamente atingiu seus objetivos.
A pressão sobre a folha continuou aparecendo nas prestações de contas. Em maio a prefeitura detalhou ter tido um crescimento de 15% nas despesas com pessoal no primeiro quadrimestre de 2026, com comprometimento de 53,9% da receita corrente líquida.
Em resposta a Otávio, o secretário de Fazenda, Isaac José de Araújo, afirmou que saúde e educação concentram aproximadamente 80% da folha e não foram alcançadas pela reforma da mesma maneira que outros setores.
“Quando nós olhamos nessa parte, a reforma administrativa não conseguiu atingir essas duas partes”, declarou.
O secretário sustentou que houve efeitos em outras áreas e apontou uma redução do indicador de 55,85% para 53,89% no levantamento atual.
Isaac também citou reposições salariais e reajustes na educação como fatores que pressionam os gastos. Disse que a administração precisa cortar outras despesas para acomodar os aumentos.
A resposta indicou uma melhora no percentual, mas não detalhou quanto foi economizado especificamente com a reorganização das secretarias, a transformação de cargos e as demais medidas da reforma.









