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Jingles de campanha são bem humorados e trazem os hits "Gordinho Gostoso" e "Baile de Favela"

Paródias de grandes sucesssos são usadas há muito tempo para conquistar eleitores

10 SET 2016
Thiago de Souza
18h00min
Peruas são mais usadas para tocar os jingles na eleição Foto: (Foto: ilustrativa - campanha de 2012)

A busca por votos em uma campanha política passa necessariamente pelo uso dos jingles. E nessa hora a criatividade não tem limites. Os hits do momento do sertanejo universitário e do arrocha são os mais usados nas paródias, principalmente nos bairros mais populares. Mas também tem o funk, que ganhou as ruas da Capital com uma versão do hit "Baile de Favela".

Aproveitando a aceitação do funk em diversas camadas sociais, uma candidatura à prefeitura de Campo Grande resolveu apostar no ritmo e substituiu o trecho da música Baile de Favela, do MC João, que diz "Invasão é baile de favela..." pelo  trecho ''E no Nova Lima, todo mundo vota nela...".

Já a música "Gordinho Gostoso", do Cantor Neto LX, que explodiu nas paradas de sucesso a partir de novembro de 2014, também foi escolhida. Dessa vez por um candidato a vereador da Capital.  O jovem que quer entrar para o legislativo municipal pegou uma câmera de vídeo, e com um sorriso largo fez o convite à população a cantar com ele a paródia, onde repete o número a ser votado inúmeras vezes.

Por meio das tradicionais "musiquinhas" da eleição, o candidato é mostrado sempre como uma figura de fácil amizade e o "amigo do povo". Repetida milhares de vezes, a letra indica que o postulante ao cargo público é um ser superpoderoso, capaz de resolver todos os problemas da cidade. Os termos ''seriedade" e  ''honestidade'' são presença garantida nas composições desse tipo.

A tática para ser visto e ''colar" o número do partido na cabeça do eleitor é bem antiga. No Brasil, uma das mais famosas é a marchinha da campanha do ex-presidente da República, Jânio Quadros, que concorreu em 1960. Até hoje o "Varre varre vassourinha! Varre vare a bandalheira, que o povo já tá cansado, de sofrer dessa maneira'' é lembrado quando se fala de história na política.

Um dos hits mais recentes é o de janeiro de 2016. Trata-se da "Metralhadora", da banda baiana Vingadora. Um candidato a vereança em Jardim não deixou passar a oportunidade e mandou fazer uma versão para sua campanha. "Para Jardim continuar a avançar em [candidato] eu vou votar, ah, ah ah...". A partir daí o refrão se repete pelo menos dez vezes.

Ainda em Jardim, o candidato a prefeito recorreu ao rap e funk. Na composição, com uma batida forte e impositiva, característica do ritmo, o número do partido é repetido pelo menos 50 vezes, na música, que tem pouco mais de um minuto. Ao fundo vem o som da corneta, típica dos tradicionais bailes chamados de pancadões, com a letra "...Uma força que vem do povo, todos no mesmo caminho...".  

Embora não seja um jingle oficial de campanha, um vídeo circula nas redes sociais onde um crítico da administração municipal de Campo Grande faz uma paródia da  música da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, para ilustrar sua decepção com a cidade, cujo título é "Mentes tão bem". "Meeeeentes tão bem, que parecia verdade o que você falava, quanta falsidade...".

Aproveitando a grande demanda, empresas que compõe jingles anunciam o serviço pela internet que é oferecido para qualquer tipo de candidato em qualquer lugar do País. Em um dos anúncios, na Bahia, o preço promocional é de R$ 289,00.  

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