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Política

OAB/MS ignora denúncias contra Odilon: 'não vemos credibilidade'

Entidade só entraria no caso se a declaração de ex-diretor da Justiça Federal for investigada pelo Judiciário

31 agosto 2018 - 15h10Por Celso Bejarano

O vice-presidente da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil) regional de Mato Grosso do Sul, Gervásio Alves de Oliveira, disse que a entidade “rechaça qualquer possibilidade de, agora, se manifestar quanto ao depoimento” do ex-diretor de Secretaria da 3ª Vara Federal Jedeão Oliveira contra o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira. Para entidade, falta credibilidade às declarações.

Num dos trechos das acusações, o ex-diretor afirma que o magistrado determinava quebra de sigilos telefônicos clandestinos, tomava decisões e apenas pedia assinaturas de colegas de cargo, deixando a entender que outros magistrados “obedeciam as suas ordens” e ainda que o agora aposentado também “mandava” na Polícia Federal.

O vice-presidente da OAB acha arriscado qualquer manifestação da entidade por se tratar de uma “declaração unilateral” por uma pessoa processada por eventual irregularidade.

“Não é um documento [o depoimento] para fazermos juízo dele, seria uma irresponsabilidade nossa. Não vislumbro nada agora, e se fizesse isso não passaria de hipóteses”, afirmou Gervásio Oliveira, que acrescentou ainda: “e estamos num período eleitoral, devemos tomar todo o cuidado”. Odilon de Oliveira é candidato ao governo de MS pelo PDT.

O vice-presidente da OAB-MS afirmou, contudo, que a entidades dos advogados entraria no caso desde que o judiciário se manifestasse ou que o MPF aceite o depoimento como delação premiada. “Nesses caso, sim, vamos nos manifestar. Por enquanto não vemos credibilidade [no depoimento]”, concluiu Gervásio.

O caso

Jedeão foi demitido da Justiça Federal pelo magistrado em julho de 2016 por ser denunciado pelo sumiço de R$ 11 milhões, dinheiro apreendido com investigados pela corte e que deveria ser depositado em conta judicial.

Enraivecido e jurando inocência, o ex-diretor prestou depoimento que preencheu 23 páginas do tamanho ofício e o protocolou em Bauru (SP), depois o entregou no MPF (Ministério Público Federal), em Campo Grande.

A esperança de Jedeão é a de que as declarações possam ser consideradas como delação premiada. Confirmado o desejo e se ele for condenado pelo desaparecimento da soma milionária, poderia ser favorecido com a redução de pena.

O MPF prometeu avaliar o conteúdo do testemunho, mas ainda não se pronunciou acerca da possibilidade de incluir Jedeão no processo como delator.

Nota

Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, Odilon de Oliveira, disse que vai pedir para a Polícia Federal instaurar inquérito para investigar as acusações. Ele afirmou que o depoimento do ex-servidor da Justiça Federal "são falsos e tudo indica ter sido armação política. Depois de dois anos que o ex-servidor foi exonerado só agora, início do programa eleitoral no rádio e na televisão ele vem distribuir as informações à imprensa. A pedido ou a mando de quem?".