A Prefeitura de Campo Grande não conseguiu contratar os veículos que serão destinados ao sorteio da campanha IPTU Dá Prêmios 2026. As duas licitações abertas para a aquisição dos prêmios terminaram sem interessados.
O caso mais recente foi a Dispensa Eletrônica nº 082/2026, que previa a compra de uma motocicleta zero-quilômetro. Em aviso de resultado publicado pela Selc (Secretaria Especial de Licitações e Contratos), o município informou que o procedimento restou deserto, ou seja, nenhuma empresa apresentou proposta.
O processo tinha como objetivo adquirir a motocicleta que será sorteada entre os contribuintes participantes da campanha do IPTU Dá Prêmios 2026.
Antes disso, a Prefeitura já havia enfrentado o mesmo problema na tentativa de comprar o automóvel que também integra a premiação da campanha. O pregão destinado à aquisição de um veículo zero-quilômetro também terminou deserto, conforme resultado publicado em 25 de junho.
O edital previa investimento estimado em R$ 75.412,53 para a compra do carro, que seria destinado ao sorteio. Conforme o edital, o veículo deveria ser entregue em até 30 dias após o sorteio final da campanha, previsto para 25 de novembro de 2026.
Com o fracasso das duas contratações, a Prefeitura ainda precisará adotar novas medidas para viabilizar a aquisição do carro e da motocicleta que compõem a premiação do IPTU Dá Prêmios 2026. Até o momento, o município não informou quando os processos serão relançados.
IPTU mais caro
Em 2026, o aumento do IPTU em Campo Grande gerou uma das maiores controvérsias tributárias do município. Embora a Prefeitura tenha anunciado que o imposto seria reajustado apenas em 5,32%, correspondente à inflação medida pelo IPCA-E, milhares de contribuintes relataram aumentos muito superiores nos carnês. Segundo o já divulgado pelo TopMídiaNews, o principal motivo foi a mudança na forma de cálculo da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos (taxa do lixo), incorporada ao IPTU.
A alteração ocorreu por meio do Decreto Municipal nº 16.402/2025, que atualizou o Mapa do Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI), utilizado para classificar imóveis e bairros. Com a nova metodologia, diversos imóveis passaram a faixas de cobrança mais altas, elevando significativamente o valor da taxa do lixo e, consequentemente, do boleto do IPTU.
A repercussão levou a Câmara Municipal a aprovar um projeto para suspender os efeitos do decreto e restabelecer o mapa de classificação utilizado desde 2018, argumentando que a mudança representava um "tarifaço" sem debate prévio com o Legislativo. A proposta também previa o ressarcimento de contribuintes que já tivessem efetuado o pagamento pelos novos valores.
A prefeita Adriane Lopes vetou integralmente o projeto, sustentando que a medida era inconstitucional, causaria renúncia de receita e interferiria em atribuições exclusivas do Poder Executivo. Com isso, o Decreto nº 16.402 permaneceu em vigor, mantendo a cobrança baseada no PSEI atualizado.
O caso também chegou ao Judiciário. Posteriormente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a suspensão da cobrança dos aumentos decorrentes da atualização cadastral dos imóveis, entendendo que elevações do valor venal acima da inflação dependem de lei específica aprovada pela Câmara.








