Protetora de animais e uma vereadora protestam contra a direção da Penitenciária de Segurança de Três Lagoas. O motivo é a proibição da entrada de ração para gatos na unidade, fazendo com que bichanos ficassem 12 dias em se alimentar.
Conforme o Perfil News, quem expôs o caso foi a psicóloga que atuou até pouco tempo na unidade, Sintianara Siqueira. Ela explicou que os felinos – cerca de 60 a 70 - já fazem parte da rotina do presídio há anos e cumprem dupla função: eliminar ratos e animais peçonhentos e apoio terapêutico aia internos.
Na denúncia, a profissional destaca que a alimentação é fruto de doação de populares e entravam no estabelecimento penal. Porém, o diretor, que assumiu o cargo em dezembro de 2025, passou a impedir que o alimento chegasse aos bichos.
''Tinha dois internos para levar a ração até a área entre o muro e a unidade. O diretor proibiu que saíssem com a ração. Resultado: ficaram 12 dias sem comer", detalhou a psicóloga. Ela acrescentou que ficou revoltada, até porque foi pega de surpresa, após voltar das férias no começo de fevereiro.
No apontamento da denunciante, o caso teria sido denunciado a um promotor de Justiça da cidade, que teria pedido a liberação da nutrição. Ainda segundo o Perfil News, janelas basculantes da penitenciária teriam sido lacradas para impedir a entrada dos gatos, especialmente em dias de frio e chuva.
A psicóloga anotou também que os gatos que ficam na área do presídio são castrados e vacinados. Além disso, o número só diminui em razão de presos que adotam os bichanos quando ganham liberdade.
Resposta
Procurada pelo site local, a direção do presídio não se pronunciou. Porém, a agência responsável pela administração presidiária – a Agepen-MS – emitiu nota.
"A Penitenciária de Três Lagoas desenvolve uma campanha de adoção responsável de gatos que circulam na unidade prisional, iniciativa voltada a visitantes e servidores interessados.
A medida foi adotada também em outras unidades, após orientação da Vigilância Sanitária à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), considerando que a presença elevada de animais em ambiente de custodia coletiva pode comprometer as condições sanitárias. Em unidades com população carcerária significativa, a concentração de gatos pode favorecer a proliferação de parasitas e atuar como potencial vetor de zoonoses, o que representa risco adicional diante do cenário de superlotação
A ação conta com acompanhamento da Promotoria de Meio Ambiente de Trës Lagoas, que realizou vistoria in loco para verificar a situação. Não procede a denúncia de maus tratos. Os animais que ainda não foram adotados continuam recebendo alimentação e cuidados básicos. Entretanto, a unidade prisional não dispõe de estrutura técnica nem de previsão orçamentária para oferecer atendimento veterinário, razão pela qual a adoção responsável também se apresenta como a solução mais adequada, tanto sob o aspecto sanitário quanto de bem-estar animal.
Esclarece se ainda que a entrada de ração para gatos não é autorizada, por não constar no rol de itens permitidos para entrega nas unidades prisionais, conforme normativas Institucionais. vigentes. A flexibilização dessa regra comprometeria os protocolos de segurança e controle estabelecidos pela administração penitenciária.








