O ex-prefeito de Três Lagoas, Angelo Guerreiro, foi escolhido pelo PSDB para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de MS. Ele integra uma chapa que também deve ter o nome de Eduardo Rocha, ex-deputado estadual e marido da ex-ministra Simone Tebet, protagonista, ao lado de Guerreiro, de um racha na sigla registrado poucos meses antes.
Angelo comandou a Prefeitura de Três Lagoas por dois mandatos - entre 2016 e 2024. Ele e Eduardo Rocha tiveram divergências meses antes, em abril. O caso remonta a abril, quando Rocha deixou o MDB e se filiou ao PSDB para concorrer na chapa proporcional estadual, movimento articulado pelo deputado federal Beto Pereira, que na mesma leva trocou o partido pelo Republicanos. À época, a chegada de Rocha pegou Guerreiro de surpresa e reacendeu uma rivalidade já conhecida na política de Três Lagoas.
"Fui deputado pelo PSDB, prefeito eleito e reeleito com mais de 85% de aprovação pelo PSDB e sou presidente do diretório municipal. E todos sabem que eu e o Eduardo Rocha somos adversários políticos em Três Lagoas", disse Guerreiro, em abril, ao comentar a filiação do rival. Na ocasião, afirmou ainda ter recusado convites do PL e do Republicanos para permanecer no partido:
"Eu tenho coerência no que me propus a fazer. Só não estou entendendo o que houve."
O episódio expôs a fragilidade do PSDB estadual, que perdeu protagonismo após a saída do ex-governador Reinaldo Azambuja e enfrentou dificuldade para montar chapas competitivas nas disputas federal e estadual. A movimentação também esfriou o ânimo de vereadores de Campo Grande cotados para o Legislativo estadual pela legenda.
Eduardo Rocha é casado com Simone Tebet, que deixou o Ministério do Planejamento e Orçamento no fim de março e hoje disputa uma vaga no Senado, não mais por Mato Grosso do Sul, mas por São Paulo, já filiada ao PSB.
Guerreiro, do povo três-lagoense
Natural de Presidente Bernardes (SP), onde nasceu em 3 de dezembro de 1968, Guerreiro se mudou para Mato Grosso do Sul ainda na década de 1980 e se firmou como empresário em Três Lagoas antes de ingressar na política. Foi vereador em dois mandatos (2004 e 2008) e deputado estadual a partir de 2014, chegando à Prefeitura em 2016, com 59,11% dos votos, e sendo reeleito em 2020, com 63,92% no primeiro turno.
A gestão municipal, encerrada em 2024, teve a infraestrutura como principal marca: segundo balanço divulgado pela própria Prefeitura de Três Lagoas, foram investidos mais de R$ 572 milhões em pavimentação, drenagem e iluminação pública, com 150 km de asfalto novo, 180 km de recapeamento e 87 km de drenagem.
Em setembro de 2025, Ângelo Guerreiro foi condenado em primeira instância por improbidade administrativa devido a fraudes e dispensa indevida de licitação em contratos de coleta de lixo urbano. A prefeitura firmou contratos emergenciais sucessivos com a empresa Financial Construtora Industrial Ltda. entre os anos de 2017 e 2019. O Ministério Público e auditorias apontaram uma "emergência fabricada" para burlar a lei de licitações.A Vara de Fazenda Pública de Três Lagoas fixou o dano aos cofres públicos e determinou o ressarcimento solidário de R$ 7,36 milhões.
Como a condenação ocorreu em primeira instância, o ex-prefeito recorreu ao TJMS. Pelas regras da Lei da Ficha Limpa, ele só se tornará efetivamente inelegível se a decisão for mantida por um órgão colegiado.
Após a convenção, Guerreiro classificou o momento como abertura de uma nova etapa de diálogo com o eleitorado, com plano de intensificar visitas ao interior do Estado. Procurados, o PSDB estadual e a assessoria de Eduardo Rocha não retornaram, até a publicação, para confirmar se o atrito de abril foi superado nem para detalhar a composição final da chapa.








