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Política

há 26 minutos

Quadrilha que desviou R$ 27 milhões organizava pagamentos por meio de grupos e conversas no WhatsApp

Rossana Jafar, uma das proprietárias da Editora Avante, determinava para quais contas deveriam ir os valores

Mensagens extraídas de celulares e e-mails apreendidos durante a investigação da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) no dia 7 de julho em Campo Grande, revelam como investigados discutiam contratos públicos, pagamentos, emissão de notas fiscais, movimentações bancárias e negociações com prefeituras de Mato Grosso do Sul.

De acordo com o relatório, as conversas reforçam a suspeita de que a Editora Avante era administrada por um grupo de pessoas, e não apenas por sua proprietária formal, Rhayane Souza Fanaia.

Entre os investigados citados está Gabriel Taquino, apontado como um dos responsáveis por conduzir negociações e orientar procedimentos administrativos. Em uma das conversas, ele informa à empresária que teria um compromisso com uma autoridade pública: "Hoje almoço com a secretário de fazenda."

As mensagens também mostram Gabriel dando instruções sobre contratos públicos, emissão de notas fiscais, processos administrativos e dados bancários. Em dezembro de 2022, por exemplo, ele cobra urgência para emissão de notas, faz referência a inexigibilidade de licitação, empenhos e solicita que sejam incluídos os dados bancários da empresa na documentação.

Outro núcleo das conversas envolve Francisco Anízio, que, segundo o relatório, aparece tratando de documentos bancários da editora. As mensagens mostram pedidos para envio do nome completo de Rhayane, encaminhamento de cartas de transferência bancária e documentos relacionados às contas da empresa.

Já Rossana Jafar aparece orientando movimentações financeiras. Em uma das conversas, ela pede que determinado valor seja transferido e orienta que o restante permaneça "na conta da editora". Em resposta, Rhayane informa que o dinheiro já havia sido creditado e pergunta se deveria encaminhar o comprovante da operação.

As investigações também identificaram mensagens em um grupo de WhatsApp denominado "Editora Avante". Após o recebimento de recursos provenientes de contrato firmado com a Prefeitura de Ladário, participantes identificados como "Heyder" e "Jana" passam a orientar Rhayane sobre a destinação do dinheiro.

Em outra sequência de conversas, há uma divisão detalhada dos valores que deveriam ser repassados após a entrada dos recursos. As mensagens citam destinatários e quantias específicas, como: "Rossana – R$ 47.103,34"; "Superconteúdo – R$ 75.661,27"; "Galeria das Letras – R$ 99.120,00".

Os investigados foram presos durante a deflagração da operação e seguem detidos após passar por audiência de custódia.

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