Um vídeo que voltou a circular nas redes sociais após a deflagração da Operação Gutenberg, do Gaeco, mostra uma reunião entre o deputado estadual Lídio Lopes (Avane), marido da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e o empresário Paulo Rogério de Melo, preso na ação que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos nas áreas da Saúde e Educação.
Nas imagens, gravadas durante o período eleitoral de 2022, Paulo aparece cobrando de Lídio o cumprimento de acordos relacionados à indicação de cargos na Prefeitura de Campo Grande e à liberação de um alvará de funcionamento. O encontro teria ocorrido na sede de um partido político.
Durante o diálogo, os participantes citam acordos envolvendo cargos estratégicos na administração municipal. Entre as funções mencionadas estão áreas como segurança da prefeita, gestão de frota e setores ligados à liberação de documentos.
Em outro momento, o empresário cobra a situação de um alvará que estaria pendente.
"Por que nós estamos aqui? Porque o Paulo está com o alvará pendente, o Major está sem salário, eu estou fora do cargo e o Anel está esperando receber", diz um dos participantes da reunião.
O vídeo também registra uma discussão sobre valores milionários e compromissos financeiros, mas não deixa claro o contexto completo das negociações citadas.
Operação Gutenberg
O empresário, dono da Lord Pub, uma conhecida casa de eventos da Capital, é um dos alvos da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na terça-feira (7). Ele e o filho, Douglas Melo, foram presos durante a ação que cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão.
Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), empresários são apontados como lideranças de um grupo suspeito de fraudar compras públicas e cooptar servidores para favorecer empresas em contratos das áreas da Saúde e Educação. O prejuízo investigado chega a R$ 27 milhões.
Paulo Rogério de Melo aparece como sócio-administrador da Atalaia Eventos e Produções Ltda., empresa responsável pelo Lord Pub. Além da prisão, a operação cumpriu mandados em endereços ligados aos investigados. Em uma loja de móveis na Rua 13 de Maio, em Campo Grande, foram encontrados um revólver, munições e R$ 76 mil em dinheiro.








