O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, propõe ampliar a agenda de transição energética de Mato Grosso do Sul no período de 2027 a 2030, com a manutenção da meta de tornar o Estado carbono neutro até o fim da década.
A proposta está incluída no plano de governo apresentado para a próxima gestão e prevê investimentos e ações em energias renováveis, biometano, hidrogênio de baixo carbono, combustíveis sustentáveis e armazenamento de energia.
A meta de carbono neutro não é nova. O programa estadual MS Carbono Neutro foi formalizado em 2021, durante a gestão de Reinaldo Azambuja, com o objetivo de neutralizar as emissões de gases de efeito estufa no território sul-mato-grossense a partir de 2030.
Na atual gestão, Riedel manteve o compromisso e voltou a apresentar a neutralidade de carbono como uma das metas ambientais do Estado. Em 2026, o governador reafirmou o objetivo durante evento relacionado à COP15, em Campo Grande.
Energia e novos combustíveis
Entre as propostas para o próximo mandato está a ampliação da malha de gasodutos da MS Gás. Segundo o plano, a estrutura deverá ser preparada para receber biometano e contribuir para a redução das emissões no transporte.
O documento também prevê estímulo a cadeias de produção de biometano, hidrogênio de baixo carbono e combustíveis sustentáveis.
Outra frente é a ampliação da geração de energia renovável e de projetos de eficiência energética. O plano cita ainda parcerias para armazenamento de energia produzida por fontes renováveis, incluindo sistemas de baterias conhecidos como BESS.
A proposta relaciona a disponibilidade de energia limpa também à atração de novos investimentos, como projetos de tecnologia e data centers.
O plano de governo prevê ainda a ampliação das redes elétricas trifásicas em assentamentos rurais. A medida, segundo a proposta, busca atender pequenas propriedades e agroindústrias que dependem de uma infraestrutura elétrica mais robusta.
Outra promessa é universalizar o programa Ilumina Pantanal para comunidades ribeirinhas do bioma.
A iniciativa busca levar energia elétrica a localidades de difícil acesso. O programa já faz parte da política energética do Estado e é citado pela atual gestão como uma das ações de infraestrutura voltadas às comunidades do Pantanal.
Adaptação às mudanças climáticas
Além da redução das emissões, o plano inclui medidas de adaptação às mudanças climáticas. A proposta é incorporar riscos climáticos ao planejamento de infraestrutura e desenvolvimento do Estado.
O documento também prevê o fortalecimento de políticas relacionadas à segurança hídrica e energética e à preparação das cidades para eventos climáticos.
Na área ambiental, o plano propõe ampliar instrumentos como o pagamento por serviços ambientais, mercados de carbono e projetos de restauração ecológica.
A atual gestão já criou a MS Ativos Ambientais, estrutura voltada à geração e negociação de ativos ambientais, e implantou o sistema Carbon Control, que reúne dados sobre emissões de gases de efeito estufa de diferentes setores da economia.
A proposta de Riedel é que Mato Grosso do Sul chegue a 2030 com as emissões de gases de efeito estufa neutralizadas e com mecanismos para comprovar esse resultado.
A estratégia apresentada combina redução de emissões, expansão das fontes renováveis, preservação ambiental e criação de novas atividades econômicas ligadas à chamada economia de baixo carbono.
Em declarações anteriores, Riedel afirmou que a meta de carbono neutro também pode funcionar como diferencial para atrair investimentos ao Estado.








