O servidor público estadual Ed Carlo Britto Burgatt, de 51 anos, teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva após ser preso durante a Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
A investigação apura um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que teria desviado cerca de R$ 27 milhões da Saúde e da compra de livros paradidáticos em Mato Grosso do Sul.
Natural de Campo Grande e com formação em nível superior, Ed Carlo ocupava o cargo de coordenador de Regulação Assistencial de Leitos da SES (Secretaria de Estado de Saúde), função estratégica responsável pela gestão das vagas hospitalares da rede pública estadual.
A prisão preventiva foi decretada após audiência de custódia realizada na quarta-feira (8).
Segundo as informações apuradas pela reportagem, Ed Carlo exercia suas funções na sede da Secretaria Estadual de Saúde, localizada na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande.
De acordo com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), ele integra o grupo investigado por participação em uma organização criminosa suspeita de praticar corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude em contratações públicas.
As investigações apontam que empresários cooptavam agentes públicos para direcionar compras, principalmente na área da Saúde e na aquisição de livros paradidáticos, enquanto os recursos obtidos de forma ilícita eram pulverizados para dificultar o rastreamento.
Governo afasta servidores e anuncia auditoria
Horas após a deflagração da operação, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que determinou o afastamento e/ou exoneração dos servidores envolvidos na investigação e anunciou uma auditoria na Secretaria Estadual de Saúde.
Em nota, a administração estadual afirmou que mantém políticas de compliance e transparência e que a Controladoria-Geral do Estado acompanhará as investigações em conjunto com a Secretaria de Saúde.
A auditoria deverá analisar os procedimentos administrativos relacionados às áreas atingidas pela operação.
Operação cumpriu 16 prisões
A Operação Gutenberg foi deflagrada na manhã de terça-feira (7) para cumprir 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de endereços em São Paulo e Abadiânia (GO).
Segundo o MPMS, a organização criminosa possuía uma estrutura dividida em núcleos, liderada por empresários responsáveis por articular o direcionamento de contratações públicas. O grupo é investigado por utilizar compras de livros paradidáticos e contratos na área da Saúde para beneficiar empresas e desviar recursos públicos.
O nome da operação faz referência ao inventor Johannes Gutenberg, criador da imprensa de tipos móveis. Conforme o Ministério Público, a escolha simboliza o uso dos livros como instrumento para conferir aparência de legalidade ao esquema criminoso.








