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Política

há 33 minutos

Soraya apresenta projeto que cria crime de LGBTIcídio com pena de até 40 anos

Proposta da senadora de MS prevê que homicídios motivados por discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+ sejam considerados crimes hediondos

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) apresentou nesta segunda-feira (28) um projeto de lei que cria o crime de LGBTIcídio no Código Penal. A proposta prevê pena de 20 a 40 anos de prisão para homicídios motivados por discriminação relacionada à orientação sexual, identidade ou expressão de gênero ou características sexuais da vítima.

O texto também inclui o LGBTIcídio na lista de crimes hediondos e estabelece regras específicas para outros crimes cometidos pela mesma motivação, como lesão corporal, ameaça, perseguição e vias de fato.

O projeto, identificado como PL 5.481/2026, também prevê aumento de pena para casos de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou à automutilação quando houver motivação discriminatória.

Segundo a senadora, a criação de um crime específico permitiria identificar esses casos nos registros policiais e judiciais e melhorar a produção de estatísticas sobre a violência contra pessoas LGBTQIAPN+.

“Quando alguém é morto por ser quem é, ou até pelo que o agressor presume que essa pessoa seja, há uma motivação específica que precisa ser reconhecida pelo Estado”, afirmou Soraya.

A proposta também altera a Lei Antirracismo para incluir expressamente orientação sexual, identidade ou expressão de gênero e características sexuais entre as hipóteses protegidas nos crimes de injúria racial e de prática, induzimento ou incitação à discriminação ou ao preconceito.

Projeto cita decisão do STF

Na justificativa, Soraya cita uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2019, quando a Corte reconheceu a existência de omissão legislativa sobre a criminalização da homofobia e da transfobia.

Na ocasião, o STF determinou que essas condutas fossem enquadradas na Lei Antirracismo enquanto o Congresso Nacional não aprovasse uma legislação específica.

O projeto apresentado agora pretende criar regras próprias no Código Penal para definir as condutas e as penas relacionadas a esses crimes.

O texto afirma ainda que opiniões, convicções, crenças e manifestações religiosas não serão criminalizadas. Para a aplicação da lei, seria necessário comprovar a prática de uma das condutas previstas e a existência de motivação discriminatória no caso concreto.

Dados de violência

A proposta cita dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, referentes a 2025. Segundo os números apresentados no projeto, foram registradas 3.481 ocorrências de racismo por homofobia ou transfobia no ano passado, aumento de 35,6% em relação a 2024.

Também foram registrados 5.452 casos de lesão corporal dolosa, 187 homicídios dolosos e 480 estupros contra pessoas LGBTQIAPN+.

O levantamento ressalta, porém, a existência de subnotificação, falta de padronização e lacunas nos registros estaduais, o que dificulta dimensionar a violência contra essa população.

De acordo com a justificativa do projeto, a identificação específica do LGBTIcídio poderia melhorar a coleta de dados e auxiliar na elaboração de políticas públicas de prevenção e combate à violência.

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