O deputado estadual eleito Tiago Botelho (PT) afirmou ter recebido mais de 100 denúncias de trabalhadores que teriam sofrido retaliações no emprego por causa de suas escolhas políticas durante as eleições. Segundo ele, empresários ligados à direita teriam promovido demissões e boicotes contra pessoas que votaram em candidatos da esquerda, principalmente após o segundo turno.
Durante entrevista ao programa Cara a Cara com Squinelo, Botelho disse que passou a expor nas redes sociais grupos de WhatsApp e pessoas que, segundo ele, incentivavam esse tipo de prática. Entre os municípios citados pelo parlamentar estão Maracaju, Eldorado e Iguatemi.
“O que eu entendi do segundo turno também é que a gente precisa expor essa galera. Eu passei a expor os grupos de WhatsApp bolsonaristas de Maracaju, de Eldorado, de Iguatemi, e as pessoas que praticavam o crime”, afirmou.
O deputado eleito disse que os relatos foram reunidos em um documento que deverá ser encaminhado à Justiça Federal para investigação.
“Eu recebi mais de cem denúncias. Nós fizemos um dossiê e vamos entregar para Justiça Federal, para que ela investigue”, declarou.
Direitos trabalhistas
Ao tratar do assunto, Botelho relacionou a discussão sobre assédio eleitoral à necessidade de proteção dos trabalhadores diante de pressões exercidas por empregadores. Para ele, a liberdade de escolha política não pode ser limitada por relações de trabalho, nas quais o empregado pode estar em posição de vulnerabilidade diante do patrão.
O parlamentar também criticou a ideia de que os conflitos trabalhistas podem ser resolvidos exclusivamente por meio de negociação direta entre empregado e empregador. Na avaliação dele, a desigualdade entre as partes exige regras e garantias que impeçam o trabalhador de ser prejudicado por exercer direitos individuais.
O tema foi relacionado ainda à discussão sobre o fim da escala 6x1. Botelho defendeu a redução da jornada como uma questão que envolve qualidade de vida e condições dignas de trabalho. Para ele, a discussão não deve ser tratada apenas como uma escolha entre patrão e funcionário, mas como um debate sobre os limites da jornada e a proteção de quem trabalha.
A escala 6x1 prevê seis dias de trabalho para um de descanso. A proposta de mudança no modelo tem provocado discussões sobre jornada, produtividade, custos para as empresas e qualidade de vida dos trabalhadores.








