A garantia de aparelhos de ar-condicionado comprados para escolas municipais de Campo Grande pode começar a vencer antes mesmo de os equipamentos serem instalados. O alerta foi feito pelo vereador Maicon Nogueira (PP), que questiona a demora para colocar em funcionamento cerca de 4 mil aparelhos adquiridos pela prefeitura para a Rede Municipal de Ensino (Reme).
O parlamentar procurou uma das empresas fornecedoras para esclarecer como funciona a cobertura dos equipamentos que permanecem armazenados. Durante a conversa, foram mencionados prazos de garantia de 12 ou 18 meses, dependendo do modelo, com contagem iniciada a partir da entrega. Também foi citada a possibilidade de cobertura estendida para o compressor.
A preocupação é que parte dos aparelhos seja instalada quando já tiver consumido uma parcela significativa do prazo de garantia. Maicon também questionou quem será responsabilizado caso os equipamentos apresentem defeitos depois de permanecerem armazenados por um longo período.
“Esse é o meu ponto crítico, porque já foi feita a aquisição”, afirmou o vereador.
Outro problema apontado é a falta de adequação da estrutura elétrica de algumas escolas. Segundo Maicon, há unidades que não têm capacidade na rede, fiação ou disjuntores compatíveis com os equipamentos. Sem essas adaptações, a instalação não pode ser concluída.
O vereador também relatou que algumas comunidades escolares estão organizando rifas e outras ações para arrecadar dinheiro e viabilizar os serviços. Para ele, a prefeitura deveria ter planejado as adequações antes de comprar os aparelhos.
“O serviço foi contratado, mas, se a escola não tem uma rede elétrica adequada, a empresa não consegue fazer a instalação”, observou.
A situação não é inédita na rede municipal. Em fevereiro deste ano, o TopMídiaNews noticiou que a direção da Escola Municipal Elpídio Reis havia pedido contribuições de R$ 10 por família para ajudar a custear a reforma da rede elétrica. Na ocasião, os aparelhos de ar-condicionado já estavam instalados, mas não podiam ser ligados por falta de adequação da estrutura. A obra foi orçada em quase R$ 100 mil, e a escola buscava arrecadar R$ 15 mil para complementar o valor.
Câmara cobra informações
Na terça-feira (3), a Câmara Municipal aprovou, por 14 votos a um, um requerimento apresentado por Maicon Nogueira para cobrar explicações da Prefeitura sobre a compra e a instalação dos equipamentos. O único voto contrário foi do vereador Beto Avelar.
O documento pede a relação das escolas que já receberam os aparelhos e daquelas que ainda aguardam a instalação, além da quantidade de equipamentos em funcionamento e dos locais onde os demais estão armazenados.
Os vereadores também querem saber quais medidas foram adotadas para garantir a conservação dos aparelhos, quem é responsável pelo armazenamento e como será preservada a garantia dos produtos. O pedido inclui ainda informações sobre o cronograma de instalação e as adequações elétricas necessárias nas unidades.
Conforme reportagem do TopMídiaNews, o requerimento também questiona se todos os aparelhos foram incorporados ao patrimônio municipal e solicita justificativas caso algum equipamento tenha sido transferido para outro órgão.
O investimento na aquisição pode chegar a R$ 55 milhões, segundo o vereador. “A gente vai acompanhar cada centavo investido nesses condicionadores de ar”, afirmou.
A prefeitura deverá apresentar as informações solicitadas oficialmente pela Câmara. Até o momento, não há, no material apresentado, um levantamento completo sobre quantos aparelhos já estão funcionando e quantos permanecem sem instalação.









