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Saúde

há 1 hora

Cirurgias cardíacas estão suspensas na Santa Casa e no HU de Campo Grande, denuncia vereador (video)

Carlão (PSB) detalhou que tem amigos precisando de operações, mas que até o momento não passaram por cirurgia

O vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), denunciou durante sessão na Câmara Municipal de Campo Grande desta terça-feira (1°) que pacientes estão enfrentando dificuldades para realizar cirurgias cardíacas na Santa Casa e no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS).

Segundo o parlamentar, dois conhecidos dele aguardam procedimentos considerados de alta complexidade. Um dos pacientes está na Santa Casa e precisa passar por uma cirurgia para troca de válvula cardíaca. O outro está internado no Hospital Universitário.

“Um tem que fazer a cirurgia nos próximos dias, senão dificilmente conseguirá sair dessa, até porque ele tem que trocar uma válvula”, afirmou Carlão.

De acordo com o vereador, a justificativa recebida no Hospital Universitário é de que equipamentos utilizados nos procedimentos precisaram ser retirados para revisão, o que teria levado à suspensão das cirurgias cardíacas.

Já na Santa Casa, segundo o relato apresentado por Carlão, o problema estaria relacionado à falta de insumos e materiais necessários para a realização dos procedimentos.

Crise na Santa Casa

A denúncia ocorre em meio a uma crise que já vinha afetando o funcionamento da Santa Casa. Desde 29 de julho, o hospital suspendeu atendimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas. A medida atingiu, entre outros setores, as cirurgias cardíacas de adultos e crianças. Na época, a direção informou que a decisão estava relacionada à escassez de medicamentos, insumos e materiais hospitalares, além de atrasos no pagamento de médicos.

Em agosto, a situação ainda não havia sido normalizada. Segundo reportagem do TopMídiaNews, a falta de materiais chegou a afetar a assistência dos cerca de 600 pacientes internados, enquanto a unidade restringia novas internações aos casos de urgência e emergência.

O hospital também enfrenta problemas financeiros e atrasos em repasses públicos. Em nota publicada no fim de julho, a própria Santa Casa afirmou que Estado e Município não teriam corrigido os valores dos repasses previstos em contrato.

Durante a fala na Câmara, Carlão cobrou uma ação conjunta das três esferas de governo para evitar que a situação se agrave.

“A culpa é do município, a culpa é do governo também do Estado, do governo federal também. Eles têm que entrar em um acordo para ver, porque se a Santa Casa parar, Santa Casa deixar de atender, entra em colapso”, declarou.

O vereador também criticou a interrupção dos procedimentos no Hospital Universitário. “O pobre está lascado e o HU tem que reformar os aparelhos, mas não pode deixar de fazer a cirurgia cardíaca”, afirmou.

Por meio de nota, a Santa Casa detalhou que as equipes médicas, PJ's e autônomas já estão sem receber há 4 meses. 

"Os atendimentos ambulatoriais e a realização de cirurgias eletivas estão suspensos desde o dia 29 de julho de 2026. Sinalizamos que ocorreria saída em massa dessas equipes médicas perante esse atraso do pagamento. Mas entendemos que a nossa saída ia causar um impacto muito grande à população, que ficaria desassistida em Campo Grande e em todo o estado de Mato Grosso do Sul. E, mediante essa preocupação, mantivemos e vamos manter os atendimentos de urgências e emergências. Cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais ainda continuarão suspensos. A única equipe que sinalizou a sua saída foi a equipe de cirurgia cardíaca pediátrica. As demais equipes continuarão atendendo, preocupadas com a população, principalmente com os mais vulneráveis e os pacientes que estão aqui internados. 

A Santa Casa não está medindo esforços para tentar manter o atendimento da população da melhor forma possível dentro das condições que são oferecidas pela instituição para a equipe técnica do hospital. A equipe da cirurgia cardíaca pediátrica hoje é a única do estado do Mato Grosso do Sul. Ela encerrando os seus serviços na instituição, provavelmente todas as crianças nascidas aqui ou nascidas em outros hospitais que seriam referenciadas para cá, vão ter que ser referenciadas a outros hospitais fora do estado do Mato Grosso do Sul".

Também procurado pela reportagem, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), explicou que não há registro de equipamento quebrado no âmbito das cirurgias cardíacas. 

"Alguns instrumentais utilizados em parte dos procedimentos foram encaminhados para manutenção preventiva ontem (1°). A medida adotada faz parte da rotina da instituição, visando à segurança das cirurgias. Entretanto, o planejamento do centro cirúrgico segue dentro do previsto com os equipamentos e instrumentais disponíveis na instituição.  

O Humap-UFMS/HU Brasil esclarece ainda que nenhum paciente está em situação de risco em decorrência dessa manutenção e reforça que permanece atento às necessidades de cada um deles e comprometido com a continuidade, a segurança e a qualidade da assistência prestada à população."

 

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