Há cerca de quatro meses sem conseguir trabalhar e convivendo diariamente com fortes dores, o caseiro Valdeir Ortega de Souza, de 34 anos, faz um apelo para conseguir realizar uma cirurgia no tornozelo direito. Morador de Campo Grande, ele afirma que aguarda atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas até o momento não recebeu previsão para o procedimento.
Segundo Valdeir, o problema começou em fevereiro deste ano, quando sofreu um acidente de trabalho em uma fazenda próxima a Aquidauana, onde atua como caseiro. Na época, procurou atendimento médico na cidade, mas a cirurgia não foi realizada. Diante da situação, retornou para Campo Grande em busca de tratamento e passou a fazer exames, inclusive na rede particular, para tentar agilizar o diagnóstico.
"Estou com muita dor. O médico particular falou que meu caso só vai resolver com cirurgia", relata.
Desde então, ele afirma que passou por diferentes atendimentos na rede pública. Procurou uma unidade de saúde, foi encaminhado para atendimento hospitalar e, posteriormente, para outro especialista. No entanto, diz que permanece na fila à espera de uma vaga.
"Fica um empurrando para o outro. Os dias estão passando e nada. Estou com dor, não estou dormindo e nem conseguindo comer direito", desabafa.
Enquanto aguarda, Valdeir diz que precisa recorrer ao hospital quando as dores se intensificam, mas recebe apenas medicação para alívio temporário. "Vou ao hospital 24 horas e só passam dipirona e injeção para dor. Ajuda só na hora, mas o médico disse que só a cirurgia resolve."
Sem conseguir retornar ao trabalho desde o acidente, ele enfrenta dificuldades financeiras. Segundo o trabalhador, a empresa onde prestava serviços informou que não arcaria com os custos do procedimento por considerar o valor elevado e orientou que buscasse seus direitos junto ao INSS.
Um orçamento apresentado por Valdeir aponta que apenas os honorários da equipe médica custam R$ 14,8 mil. Somando despesas hospitalares e materiais cirúrgicos, como placa para fixação da fíbula e instrumentais, o procedimento ultrapassa R$ 22 mil.
Pai de uma adolescente de 14 anos, ele afirma que o maior desejo é voltar a trabalhar para sustentar a família.
"Eu queria fazer um apelo para algum ortopedista, seja do SUS ou da rede particular, para que eu possa voltar à minha rotina. Quero trabalhar, tenho uma filha para sustentar e contas para pagar."
Diante da situação, a reportagem procurou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para saber qual é a situação de Valdeir na fila de espera para cirurgia ortopédica, se há previsão para o procedimento e quais medidas podem ser adotadas diante do quadro relatado. O espaço segue aberto para manifestação.








