A falta de profissionais tem comprometido o atendimento na Unidade de Saúde da Família (USF) Vila Nasser, em Campo Grande. Relatos encaminhados ao TopMídiaNews, apontam a suspensão de serviços no período vespertino, incluindo vacinação, procedimentos de enfermagem e atendimento na farmácia. O Conselho Local de Saúde também denuncia a falta de insumos básicos e a demora na abertura de um anexo construído para ampliar a capacidade de atendimento à população.
Em comunicados internos enviados no dia 28 de setembro, funcionários informaram que a unidade estava sem profissionais suficientes para manter os serviços durante a tarde. Em um dos avisos, foi comunicada a ausência de enfermeiros, o que impediria a realização de procedimentos como aplicação de vacinas, administração de medicamentos injetáveis e troca de sondas.
A sala de vacinação também teve o funcionamento comprometido pela falta de recursos humanos. Já a farmácia precisou interromper o atendimento em diferentes ocasiões, conforme os relatos encaminhados à reportagem.
Um dos comunicados aponta que a ausência de funcionários responsáveis pela dispensação de medicamentos dificultava a manutenção do serviço farmacêutico no período vespertino. A normalização dependeria do retorno de uma funcionária que estava afastada.
Conselho cobra providências
A situação também é alvo de reclamações do Conselho Local de Saúde da USF Vila Nasser. Isso porque os problemas na unidade de saúde seriam recorrentes, sem que as reivindicações já encaminhadas à administração municipal sejam minimamente respondidas.
“Falta pessoal para atender na recepção, falta insumo, é difícil a situação. A gente já relatou, pediu várias vezes e eles não dão atenção para a gente”, afirmou.
Segundo o detalhado, a falta de profissionais, especialmente de recursos humanos para manter os serviços, prejudica a rotina da unidade. Ele também relatou que houve troca na direção da USF e que a gestão enfrenta dificuldades diante dos problemas estruturais e da insuficiência de funcionários.
As reclamações foram formalizadas no Ofício nº 001/2026, encaminhado em 4 de maio de 2026 pelo Conselho Local de Saúde ao Conselho Regional da Região Urbana do Segredo.
No documento, os conselheiros solicitaram providências para recompor o quadro de profissionais, incluindo farmacêuticos e recepcionistas para os períodos de maior demanda. Também cobraram o fornecimento regular de materiais essenciais, como papel sulfite e luvas de procedimento.
Consultórios sem atendimento
Outro ponto destacado nos documentos obtidos pela reportagem é a falta de profissionais para atender nas especialidades de ginecologia e clínica médica. Conforme o ofício, a unidade dispõe de salas destinadas aos atendimentos, mas não conta com os médicos necessários para colocá-los em funcionamento.
O documento também aponta a necessidade de adequações na instalação elétrica e de um transformador para evitar quedas de energia nos consultórios.
Além disso, os conselheiros pediram a implantação ou ativação do PRIMT, diante da elevada demanda de pacientes atendidos na unidade. A solicitação inclui a discussão sobre a demanda reprimida e a necessidade de ampliar a oferta de consultas.
Anexo construído há dois anos segue fechado
A estrutura destinada a ampliar os serviços de saúde também preocupa os moradores. Segundo o relato, o anexo distrital foi construído há cerca de dois anos, mas ainda não foi inaugurado.
Durante a construção, o espaço recebeu salas, paredes e mobiliário, mas continua sem funcionamento. O conselheiro afirmou ainda que a energia elétrica não chegou a ser ligada no local.
No ofício, o conselho pede informações sobre as etapas pendentes para a conclusão e abertura do anexo, além da instalação de equipamentos, mobiliário e pontos de informática necessários ao funcionamento dos novos consultórios.
Segurança e abastecimento também preocupam
As reivindicações incluem ainda o reforço da segurança na unidade, com avaliação da possibilidade de apoio da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
O conselho também solicita a regularização do abastecimento de insumos, apontando que a falta de materiais essenciais prejudica a execução de procedimentos e o atendimento aos usuários.
Até o momento, conforme o relato encaminhado à reportagem, o conselho não teria recebido resposta às solicitações apresentadas à administração municipal.
A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para solicitar um posicionamento sobre o assunto, mas até a publicação desta matéria não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.







