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Saúde

há 2 semanas

Home care abandonou e meu filho morreu, denuncia mãe

São graves as denúncias contra a empresa Cuidar Mais Home Care, que tem como um dos proprietários o médico oncologista Amauri Ferreira de Oliveira

Morto em 2023, o motorista Reinaldo Nogueira Júnior enfrentou longa batalha judicial para conseguir atendimento médico em casa e, mesmo após ser pleiteado, enfrentou longo problema com a empresa responsável pelo serviço. A família faz graves denúncias à empresa Cuidar Mais Home Care, que tem como um dos proprietários o médico oncologista Amauri Ferreira de Oliveira, que inclusive assina grande parte dos contratos com o poder público.

Empresa de capital social de R$ 50 mil, ela chama a atenção por denúncia de negligência no atendimento de paciente do SUS (Serviço Único de Saúde). No caso de Reinaldo, os problemas se arrastaram de 2020 até a morte do motorista, três anos depois, em Campo Grande.

A empresa Cuidar Mais Home Care nega negligência no atendimento ao motorista. Também alega que o médico oncologista Amauri Ferreira de Oliveira é apenas 'investidor' do empreendimento, sendo que a vinculação dele ao caso é 'desproposital', apesar de ele assinar contratos com a prefeitura divulgados em diário oficial. Leia todo o posicionamento clicando aqui

A mãe, Maria Benedita Garcia Leite, é quem denuncia a Cuidar Mais. “A empresa não valia nada”, dispara.

“Devido à negligência, eu mesma tive que levar ao hospital. Aí então compareceram, quando chamei o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e viram que o negócio estava feio, mas já não adiantava nada", lembra

Entre as diversas acusações, há afirmações graves, como de que a empresa não fornecia os remédios e profissionais adequados ao atendimento de Reinaldo.

Médico oncologista Amauri Ferreira de Oliveira e Reinaldo, falecido em 2023

(Reinaldo não resistiu e deixou dona Maria Benedita / Google Street View/Arquivo Pessoal)

O HISTÓRICO

Reinaldo Nogueira Júnior precisou de cuidados domiciliares após acidente de trânsito em 1º de maio de 2016, quando sofreu traumatismo crânio encefálico, desenvolvendo paraplegia e hidrocefalia.

O paciente começou a ser atendido em home care após longa batalha judicial liderada pela Defensoria Pública, que ajuizou ação em outubro de 2017. Entre atrasos e liminares, Reinaldo foi atendido por cerca de cinco anos, como confirma a mãe, Maria Benedita.

De acordo com ela, a primeira empresa a atender ao filho foi excelente, prestando tudo o que estava previsto no acordo. "O atendimento era 24 horas, recebendo o cuidado e atenção da empresa. Ele recebia cuidados de fisioterapia, fonoaudióloga, além da enfermagem. A fisioterapia era diária, por cerca de uma hora, já o acompanhamento da enfermagem era 24 horas. Era maravilhoso", conta.

Conforme extrato enviado pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) à Justiça, Reinaldo foi acolhido, em um primeiro momento, por Jean Marcell Cacula da Rocha Serviços de Home Care, a partir de 29 de março de 2018. A empresa firmou contrato de seis meses cobrando R$ 1 mil para três sessões de fisioterapia e duas de fonoaudiologia semanais. Não há detalhes sobre os valores de outros serviços.

Na sequência, a Sesau descontinuou o serviço e foi acionada por descumprir a decisão judicial. Neste período, assumiu a empresa KZT Serviços Médicos de Atenção Domiciliar. A disputa judicial se alongou, mas a prefeitura normalizou o atendimento. Maria Benedita aponta que, infelizmente, tudo mudou após nova licitação, que resultou na Cuidar Mais Home Care como vencedora.

DESCASO

A mãe em luto frisa que os profissionais eram excelentes, porém apenas compareciam após muita insistência, telefonando para a empresa. Segundo ela, a Cuidar Mais também deixou de comprar parte dos medicamentos e curativos usados por Reinaldo, restando à família adquirir os insumos.

"Eu tinha que ficar ligando, chamando eles para realizarem o atendimento. Apenas os profissionais que eram ótimos. Eles me ajudavam e prestavam o auxílio, mas a empresa não valia nada e deixou várias vezes de prestar apoio ao meu filho", desabafa Maria Benedita.

Conforme a mãe, Reinaldo adquiriu uma escara – ferida na pele que surge quando o paciente fica muito tempo na mesma posição – durante uma internação hospitalar. Assim que recebeu alta médica, o ferimento era pequeno, porém cresceu muito por ausência de cuidados. 

"Ele pegou uma escara no hospital e eles não vinham olhar, deixavam por conta, não queriam nem saber. Eu mesmo tinha que cuidar, comprar os remédios. Eu não ia deixar de ajudar o meu filho numa situação ruim, sem ter nem o remédio. Devido à negligência, eu mesma tive que levar ao hospital. Aí então compareceram, quando chamei o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e viram que o negócio estava feio, mas já não adiantava nada", relembra a mãe.

Médico oncologista Amauri Ferreira de Oliveira e Reinaldo, falecido em 2023

(Mãe e filho se despediram em 2023 / Foto: Arquivo Pessoal)

A mãe destaca que os próprios profissionais ficavam indignados com a empresa, mas nada podiam fazer. A luta persistiu até outubro do ano passado, quando Reinaldo partiu. Para a mãe, apenas saudades e indignação.

Em nota, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou ter verificado em seus registros as informações referentes ao contrato em questão e "não foi identificada nenhuma irregularidade apurada pelos fiscais de contrato ou reclamações advindas da família do paciente. De toda forma, após tais questionamentos feitos pela imprensa, a pasta fará uma maior fiscalização do cumprimento do contrato por parte da empresa responsável pelo atendimento".

(matéria editada às 8h31 de 11/06/2024 para acréscimo da posição da empresa Cuidar Mais)

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