Gillian Cosmo Soares, de 41 anos, tem passado por dias de terror, internada na Santa Casa de Campo Grande, sentindo dores que nem mesmo aplicações recorrentes de morfina ajudam a suportar.
No dia 17 de setembro, Gilian sofreu um grave acidente de motocicleta e caiu no córrego em frente ao shopping na Avenida Norte-Sul. O acidente foi apenas o começo de todos os problemas que enfrentaria nos dias seguintes.
Devido à gravidade dos ferimentos, Gillian foi encaminhado às pressas para a Santa Casa, onde foi internado para realizar cirurgias. Com o acidente, o trabalhador quebrou a bacia em dois lugares, além de ter quebrado o pé e sofrido um forte impacto na cabeça. Mesmo com a gravidade da situação, a primeira cirurgia foi realizada apenas no dia 21 de setembro.
"Minha mãe teve de ir ao SAC para que eles pudessem fazer a cirurgia no dia 21, pois estava passando mal de tanta dor sem parar, e estava sem poder comer e beber líquido." Só fizeram a cirurgia da bacia, mas não fizeram a do pé. Fiquei com muita dor após a cirurgia; alguns enfermeiros e técnicas de enfermagem faltaram me mandar calar a boca, brigavam comigo toda hora."
Segundo Gillian, após a cirurgia, as dores pioraram, porque não foi realizado nenhum procedimento no pé quebrado, e a cirurgia na bacia também passou a doer. Segundo a vítima, foi passada a aplicação de morfina a cada 8 horas, porém, com a troca da equipe de plantão, algumas doses não eram administradas.
Sem suportar a dor, Gillian passou a gritar no local de internação e, de acordo com o seu relato, alguns enfermeiros e técnicas de enfermagem o repreendiam pelos gritos, chegando até mesmo a pedir para que ele respeitasse o ambiente.
"Quando a dor começa, eu não tenho o que fazer. O remédio nem sempre faz efeito e eu não passei pela cirurgia do pé. Eu não consigo controlar, não tenho o que fazer. Eles não aplicavam morfina; outros aplicavam dipirona e mentiam dizendo que haviam aplicado a morfina que estava prescrita pelo médico. Até o médico veio chamar minha atenção para eu não chorar ou gritar de dor, e alguns técnicos até zombavam da minha dor. Alguns dos técnicos e enfermeiros ficavam irritados, não sabem trabalhar com pessoas enfermas, não têm paciência. Devido às fortes dores, eu chorava muito, não aguentava, e alguns diziam para eu respeitar o ambiente, outros diziam para eu não ficar gritando. "Eu fui humilhado."
Conforme Gilian, a cirurgia havia sido marcada para o dia 27 de setembro, mas, quando chegou a data, o médico foi ao seu leito e informou que não seria possível realizar a cirurgia por falta de insumos básicos no hospital. Depois da data, a cirurgia foi marcada duas vezes, e o processo era o mesmo: a equipe colocava Gillian em jejum, mas, quando chegava na hora da cirurgia, ela era desmarcada sem previsão da próxima.
Segundo Gillian, a equipe passou a administrar doses de morfina a cada 4 horas, mas não é o suficiente. O que ele não precisa é da cirurgia no seu pé quebrado. O trabalhador afirma que precisa de uma solução, uma vez que não aguenta mais sofrer dores tão intensas sem uma previsão de quando o problema será minimamente resolvido.
A redação entrou em contato com a Santa Casa de Campo Grande para falar sobre o caso e aguarda retorno.








