Nilva Rodrigues de Moura, de 85 anos, passou cerca de quatro horas e meia aguardando uma vaga hospitalar em uma cadeira de rodas na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Jardim Leblon, em Campo Grande (MS). Segundo a filha, a idosa não recebeu medicação durante a espera e acabou sendo levada para casa.
Segundo Nilzete Rodrigues de Moura, de 60 anos, a mãe havia recebido alta do Hospital Regional de Campo Grande na segunda-feira (12), após permanecer internada por 13 dias. A idosa utiliza uma válvula mitral mecânica e faz uso de varfarina, medicamento anticoagulante que exige acompanhamento da coagulação do sangue.
Na noite de quinta-feira (15), um exame apontou uma alteração importante na coagulação sanguínea da idosa, com resultado de 9,3, conforme relatado pela filha. Preocupada com a possibilidade de hemorragia, Nilzete levou a mãe para atendimento médico na UPA.
Segundo a familiar, a idosa foi avaliada por um médico, que solicitou a regulação para uma unidade hospitalar, já que a UPA não dispunha do exame necessário para acompanhar o quadro, chamado TAP (Tempo de Atividade da Protrombina).
"Ela só recebeu o atendimento do médico, que pediu a regulação para o hospital. Não fez nenhuma medicação lá, nem ao menos uma dipirona. Eles não estabilizaram ela", relatou.
Segundo Nilzete, o problema começou após o pedido de transferência. A idosa, que já havia chegado à unidade na cadeira de rodas da própria família, foi consultada e permaneceu sentada nela durante toda a espera, sem que uma maca fosse disponibilizada para que pudesse se deitar ou receber os cuidados necessários, inclusive a troca de fraldas.
A filha relatou que a mãe havia deixado o Hospital Regional apenas três dias antes e ainda estava bastante debilitada. Durante a espera, a idosa ficou desorientada, sentia dores e chorava, sem receber medicação, conforme o relato da familiar.
Segundo Nilzete, após aguardar das 22h até aproximadamente 2h30 da madrugada de sexta-feira (16), decidiu levar a mãe de volta para casa, já que a idosa não suportava mais permanecer sentada.
"Levei para casa porque ela estava chorando, pedindo pelo amor de Deus, que não aguentava mais ficar sentada", desabafou.
A filha informou que pretende realizar o exame de coagulação de forma particular para acompanhar o quadro da mãe e, caso necessário, buscar atendimento médico particular.
A redação entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Campo Grande para pedir esclarecimentos sobre a falta de maca, a ausência de medicação relatada pela família e a espera por transferência hospitalar, e aguarda retorno.
Confira abaixo o vídeo gravado por Nilzete ainda na UPA do bairro Jardim Leblon.
*Matéria atualizada em 19 de outubro para correções sobre o quadro clínico e internação internação da paciente









