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Saúde

Pandemia diminui número de pacientes e médicos buscam soluções para manter atendimentos

Até mesmo laboratórios estão com capacidade ociosa

30 abril 2020 - 14h23Por Redação

O aumento de casos de pessoas contaminadas pela Covid-19 fez pacientes cancelarem consultas médicas de rotina, para evitar contato com outras pessoas. Diante disso, hospitais, médicos e clínicas tiveram de oferecer novas opções de atendimento para não deixar os pacientes, muitos que necessitam de atenção por doenças crônicas, sem consulta.

Um levantamento da Confederação Nacional de Saúde, entidade que representa hospitais, clínicas e laboratórios aponta que a média de ocupação, de leitos clínicos e UTI, é de 40% a 50%. Até mesmo laboratórios estão com capacidade ociosa.

“Na semana passada, um amigo da família estava com sangramento e não queria ir ao pronto-socorro, tivemos de colocar no carro à marra”, contou a médica Maria José Maldonado, pediatra e presidente da Associação Médica de Mato Grosso do Sul.

Ela destaca que  diversos consultórios estão com agenda totalmente aberta nas últimas semanas. “Percebemos que muitas consultas de rotina, de monitoramento e doenças crônicas deixaram de ser realizadas. Não apenas na rede privada, na pública, também”, revela, citando que UPAs e pronto-atendimentos da Capital estão com baixo movimento.

“Isso gera preocupação, há casos que precisam ser monitorados, exames a serem feitos e as pessoa só estão indo em extrema urgência ao médico. É compreensível, por conta da pandemia do coronavírus, que ainda caminha para o pico”, afirma a pediatra.

A Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul) teve diminuição de 32% na taxa de ocupação da UTI (Unidade de Terapia Intensiva). O quadro se explica devido à estratégia de contingência, para reservar mais leitos de alta complexidade ao tratamento de coronavírus, e também ampliação dos leitos de UTI.

A redução no movimento hospitalar se deve a suspensão das cirurgias eletivas, sendo prioritários apenas os procedimentos cirúrgicos considerados de urgência e emergência. Pacientes de “rotina”, que já fazem acompanhamento médico, ou que precisam de consultas eletivas, são agendados para os Centros Médicos, especializados e Clínica da Família da Cassems.

Segundo a Cassems, a quarentena aplicada no final de março favoreceu a não circulação de vírus sazonais, como o sincicial respiratório, muito comum em crianças, e reduziu a procura de atendimento na urgência.

Pacientes com quadro de AVC, infarto, abdômen agudo, não tiveram redução de taxa de internação.

 Agendamentos

O dermatologista Baltazar Sanabria teve diversos cancelamentos por pacientes que não queriam se deslocar até à clínica, mesmo após a reabertura dos consultórios. “Foi um impacto muito alto, estava com a agenda cheia até semanas atrás, agora, está toda aberta”, conta.

Pais com crianças também preferem não levar os filhos aos consultórios. A pediatra Juliana Farbi teve 50% das consultas canceladas. Os dois profissionais reforçam que a segurança e medidas de proteção, nas consultas ainda mantidas, estão reforçadas.

Recentemente, o Ministério da Saúde aprovou a teleconsulta, que é regulamentada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) desde 2002, mas sem autorização para algumas modalidades. A intenção é não deixar desassistidos os pacientes que necessitam de cuidados e não poderiam ficar sem atendimentos, como hipertensos e pacientes de psiquiatria. Os médicos, porém, não acreditam que ela possa ser útil a todos.

“Acho pouco seguro para o profissional, principalmente pediatras, já que o exame físico da criança é imprescindível durante a consulta”, explica Juliana Farbi.

“O atendimento online é complicado na primeira consulta, para fazer avaliações, investigações do paciente”, pondera Baltazar Sanabria. “Podemos usar (a telemedicina) quando é pós-operatório, retorno de exames. Quando se avalia a necessidade de uma cirurgia de transplante capilar, por exemplo, também é possível. Mas, o primeiro contato é preciso fazer o atendimento presencial”, comenta.

Os pais que estão ficando preocupados com as consultas dos filhos, a pediatra recomenda que crianças menores de 1 ano mantenham as consultas mensais. “Indo com um acompanhante, de preferência fora da faixa de risco e que não esteja doente, manter o distanciamento de outros pacientes, pode até mesmo esperar do lado de fora da clínica. Chegar no horário para não haver atraso ou aglomeração”, cita. “As crianças maiores de 1 ano é preciso avaliar o caso da necessidade de atendimento individualmente.

Questões legais

A advogada Giovanna Trad, especialista em direito médico, lista cuidados que o médico e o paciente devem tomar na teleconsulta. “. Assim como em uma consulta presencial, o médico deve obter o consentimento do paciente, registar em prontuário o atendimento e assegurar o seu dever de sigilo. Por isso a importância de utilizar uma plataforma segura, para que os dados sensíveis do paciente não sejam vazados”.

Giovanna recomenda que se informem a respeito de valores, tanto particular quanto no convênio. “Não há regulamentação na portaria quanto à remuneração médica nesses atendimentos virtuais. Se for paciente de convênio, o médico deverá entrar em contato com a Operadora para ajustamento dos valores de sua remuneração. Válido também que o paciente pergunte ao seu Convênio sobre o funcionamento dessa nova realidade”.

No dia 16 de abril foi sancionada pelo presidente da República a lei que regulamenta a telemedicina durante a pandemia do coronavírus. Segundo Giovanna Trad, a lei é muito generalista e escassa. “(A lei) deixa várias lacunas e dúvidas para o médico, principalmente quanto aos limites de sua aplicação. Pode ser utilizada em todas as especialidades? Pode ser empregada para atendimento de novos clientes? Caberá aos operadores jurídicos a incumbência de interpretar o que o legislador propôs”, finaliza.