A regionalização da saúde é uma das principais estratégias apresentadas pelo governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, para ampliar o atendimento de média e alta complexidade em Mato Grosso do Sul. A proposta prevê fortalecer hospitais do interior, ampliar o uso da telemedicina e reorganizar a regulação de pacientes para reduzir a concentração dos serviços em Campo Grande.
Segundo dados apresentados pelo Governo de Mato Grosso do Sul, foram investidos R$ 3,477 bilhões na área entre 2023 e 2026. Desse total, R$ 2,478 bilhões, o equivalente a 71,27%, foram destinados ao incentivo hospitalar. Outros R$ 682,4 milhões foram aplicados em repasses a municípios e no programa MS Saúde, enquanto R$ 188,6 milhões foram destinados a equipamentos e veículos e R$ 127,8 milhões a obras.
A estrutura da regionalização tem como base quatro hospitais regionais em funcionamento: Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã. Juntas, as unidades somam 695 leitos e recebem mais de R$ 73,2 milhões por ano em investimentos estaduais, segundo o governo.
O Hospital Regional de Campo Grande possui 362 leitos e recebe R$ 40 milhões em investimentos anuais. O Hospital Regional de Dourados tem 100 leitos e R$ 13,4 milhões, enquanto o Hospital Regional Costa Leste, em Três Lagoas, conta com 116 leitos e mais de R$ 11,9 milhões. Já o Hospital Regional de Ponta Porã possui 117 leitos e recebe R$ 7,9 milhões.
O governo também prevê a implantação de um quinto hospital regional em Corumbá, por meio de uma parceria público-privada. A proposta faz parte da estratégia de ampliar a oferta de serviços especializados fora da Capital.
A Secretaria de Estado de Saúde afirma que a regionalização já vem ampliando a realização de procedimentos no interior. Em 2025, o governo também implantou a Política Estadual de Incentivo Financeiro Hospitalar (Pehosp), com previsão de R$ 198,5 milhões por ano. O modelo contempla hospitais distribuídos por 64 municípios e combina repasses fixos para manutenção dos serviços com valores variáveis vinculados à produção.
A proposta também prevê fortalecer a saúde digital. Segundo o governo, a telemedicina já alcançou 112 mil atendimentos em 2026. Dados da Secretaria de Saúde mostram ainda que a telessaúde realizou 44.682 atendimentos entre janeiro de 2025 e maio de 2026, alcançando os 79 municípios do Estado e evitando, segundo a pasta, cerca de 4,1 milhões de quilômetros em deslocamentos. O Hospital Israelita Albert Einstein respondeu pela maior parte dos atendimentos, em parceria com iniciativas da Fiocruz e de Estomatologia.
A estratégia de saúde digital começou a ser ampliada pelo Estado a partir de uma parceria com o Hospital Albert Einstein e passou a contar também com uma plataforma própria de teleatendimento. A estrutura busca permitir que profissionais de diferentes municípios tenham acesso remoto a especialistas.
Outro eixo da proposta é a regulação integrada. No primeiro semestre de 2026, 54.982 pacientes foram regulados, número 16,6% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando foram 47.136. Entre os pacientes do interior, o número passou de 16.501 para 20.758, alta de 25,8%, segundo os dados apresentados pelo governo.
A Secretaria de Saúde afirma que a regulação integrada tem como objetivo direcionar os pacientes para unidades compatíveis com a complexidade de cada caso e melhorar o fluxo de leitos hospitalares.
Riedel também defende mudanças no financiamento do SUS e afirma que o sistema enfrenta subfinanciamento nacional. Segundo o governador, Mato Grosso do Sul recebe do governo federal cerca de 26% dos custos de suas estruturas de saúde, com parte do financiamento baseada na produção dos serviços.
"Sem dúvida nenhuma, é um dos temas mais complexos e necessários para o estado e para o Brasil, porque a saúde é uma gestão tripartite: município, estado e União. É extremamente importante que a gente otimize os recursos da saúde", afirmou Riedel.
Na avaliação apresentada pelo governo, a descentralização busca fazer com que procedimentos e atendimentos especializados sejam realizados mais próximos do local onde os pacientes vivem, diminuindo a necessidade de deslocamento para Campo Grande. A SES também aponta a redução da mortalidade infantil, que passou de 13,65 em 2023 para 12,71 em 2025, como um dos indicadores acompanhados pela gestão.
Entre as ações citadas pelo governador está ainda a inauguração de uma UTI Neonatal em Corumbá, apresentada como parte da ampliação da assistência especializada no interior.








