Uma gestante de 30 anos, procurou várias unidades de saúde da região sul de Campo Grande para tomar as vacinas obrigatórias durante a gestação, mas não conseguiu completar o calendário vacinal por falta de imunizantes na rede pública. Mesmo após semanas de tentativas, ela ainda não conseguiu tomar a vacina contra a Covid-19, recomendada na carteira da gestante e pelo obstetra que acompanha o pré-natal.
Com mais de 30 semanas, a paciente precisava atualizar o calendário vacinal e tomar algumas vacinas ainda com 20 semanas, mas ao procurar algumas unidades de saúde não as encontrou. Entre elas estão a dTpa (difteria, tétano e coqueluche), obrigatória a cada gestação; a Influenza (gripe), de campanha anual; além da Hepatite B e da vacina contra a Covid-19.
Na tentativa de se imunizar, a gestante passou por várias unidades de saúde, como a UBS Dona Neta, no bairro Guanandi; a UBSF Iracy Coelho, no Residencial Parque Iracy Coelho; a UBSF Aero Rancho e a USF Aero Rancho. Segundo ela, quando uma unidade tinha determinada vacina, faltava outra, o que acabou fazendo com que os prazos recomendados fossem ultrapassados.
“Quando você encontra uma dose específica em uma unidade, não tem as demais. Aí você encontra as outras em outro posto, mas não pode tomar uma vacina hoje e outra amanhã, precisa respeitar o intervalo mínimo de sete dias. Quando volta, aquela unidade já não tem mais”, relata.
A gestante explica ainda que, por orientação médica, não apenas ela, mas também o marido e o filho deveriam estar com a carteira de vacinação em dia, incluindo as doses de campanha e reforço. “O médico informou que todos os membros da casa precisam estar imunizados. Mas já são, no mínimo, 10 semanas rodando nas unidades de saúde e sempre ouvindo o mesmo. ‘Não tem’, ‘não chegou reposição’, ‘volta semana que vem’. E os dias vão passando”, conta.
Segundo a mãe, até mesmo para conseguir tomar a vacina contra a Hepatite B houve demora. Quando finalmente conseguiu receber a dose, foi informada de que o prazo previsto na carteira da gestante já havia sido ultrapassado e que as vacinas restantes precisariam ser feitas com urgência. Caso contrário, poderia ser notificada pela saúde.
“A moça simplesmente soltou uma ameaça de notificação da saúde, sendo que a culpa não é minha. Rodei várias unidades, não achei as vacinas e, até agora, não consegui tomar a da Covid, nem eu, nem meu filho, nem meu esposo. Sei da importância, mas simplesmente não tem. Ninguém nos postos sabe informar qual unidade realmente tem a vacina”, lamenta.
Prestes a dar à luz, a gestante teme não conseguir completar o esquema vacinal a tempo, especialmente diante da circulação de novas variantes da Covid-19. “A gente se esforça, vai atrás, e parece que, mesmo assim, estamos erradas”, desabafa.
Procurada pela reportagem, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou, em nota, que a vacina contra a Covid-19 é ofertada na rotina de vacinação apenas para públicos prioritários, como idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos e outros grupos considerados mais vulneráveis, garantindo que a vacina estaria disponível em todas as 74 unidades de saúde da Capital.
No entanto, a resposta não esclarece em quais unidades gestantes estão sendo efetivamente atendidas, tampouco explica por que a paciente, mesmo enquadrada em grupo recomendado para imunização durante a gravidez, não conseguiu acesso à vacina após passar por diversas unidades da rede pública.
A secretaria também não respondeu sobre a falta de informações repassadas nas UBSs nem sobre a divergência entre a orientação médica e a realidade encontrada nos postos de saúde.
A resposta da Sesau não condiz com o relato da gestante e com a situação encontrada nas unidades citadas, onde, segundo ela, profissionais informaram não haver doses disponíveis ou previsão de reposição.
Até o fechamento desta matéria, a secretaria não indicou um local específico onde gestantes possam, de fato, receber a vacina contra a Covid-19.







