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há 1 hora

Atleta de Mato Grosso do Sul vai representar o Brasil no Pan-Americano de Kung Fu

Sem patrocinadores e sem receber Bolsa Atleta, Anna busca recursos para custear a viagem e tornar possível a participação na competição internacional

Vestir a camisa da Seleção Brasileira sempre foi um sonho para a sul-mato-grossense Anna Guerra, de 22 anos. Depois de uma década de dedicação ao Kung Fu Wushu, o momento finalmente chegou: ela foi convocada para disputar o Campeonato Pan-Americano de 2026, em Buenos Aires, na Argentina. Mas, antes mesmo de entrar no tatame, a atleta precisa vencer uma batalha fora dele.

Sem patrocinadores e sem receber Bolsa Atleta, Anna busca recursos para custear a viagem e tornar possível a participação na competição internacional.

A história da atleta começou por acaso. Durante um ano, ela apenas acompanhava os irmãos aos treinos de Kung Fu, até que o professor Cezar Giroletta insistiu para que também experimentasse uma aula. "Ele sempre dizia: 'Hoje que você veio, faz uma aula'. Depois de tanto convite, aceitei. Fiz uma aula experimental e me apaixonei de primeira."

Naquele momento, o esporte significou muito mais do que aprender golpes e técnicas. Pouco tempo antes, os pais haviam se separado e Anna enfrentava um período de tristeza e insegurança. "Eu me sentia sufocada e desesperada. Foi no tatame que me senti útil, relaxada e livre. Sempre que eu estava triste ou com raiva, meu professor me fazia acreditar que eu ia passar por aquilo."

Os treinos passaram a ser um refúgio e ensinaram Anna a ter paciência e acreditar que existe uma forma diferente de enfrentar os problemas. Com o tempo, também se transformaram em um projeto de vida.

Nem sempre foi fácil. Além das dificuldades financeiras, Anna também enfrentou a depressão e chegou a pensar em abandonar o esporte, mas as pessoas que a apoiaram em todo esse processo deram forças a ela.

A persistência trouxe resultados. Em 2023, depois de uma sequência de derrotas, ela conquistou três medalhas de ouro em uma única competição. 

Mas nenhuma conquista se compara ao momento em que soube que defenderia o Brasil. "Quando recebi a notícia, achei que era mentira. Na minha cabeça, eu não tinha ido tão bem na seletiva. Chorei, ri e comemorei muito. Vestir a camisa da Seleção Brasileira é um sonho de criança. Foi a prova de que todo esforço valeu a pena."

Preparação para Pan-Americano

A rotina para chegar preparada ao Pan-Americano exige disciplina. São treinos de Kung Fu três vezes por semana, musculação de segunda a sexta-feira e corridas entre duas e três vezes na semana.

"Eu não vejo isso como sacrifício. É uma escolha. Enquanto muita gente estava em festas ou baladas, eu estava treinando, estudando, cuidando da alimentação e dormindo cedo."

Agora, o maior obstáculo não está nos adversários que encontrará em Buenos Aires, mas na falta de apoio financeiro para chegar até lá. Mesmo diante das dificuldades, Anna não perde a esperança. Para ela, cada treino, cada medalha e cada obstáculo superado reforçam a certeza de que vale a pena continuar.

E para quem tiver interesse em ajudar a atleta, pode clicar na vaquinha online.

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