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Massa vê risco de GP do Brasil sair do calendário, mas torce pelo contrário

Piloto conversou com o GloboEsporte.com após anúncio da agenda de 2017 da F1 feito pela FIA, nesta quarta, em que a etapa brasileira aparece sujeita à confirmação

29 SET 2016
Globo Esporte
10h42min
Foto: Mark Thompson/Getty Images

Felipe Massa, da Williams, comentou com o GloboEsporte.com, nesta quinta-feira no Circuito de Sepang, onde às 23 horas, horário de Brasília, começam os treinos livres do GP da Malásia, o fato de GP Brasil, em 2017, aparecer como etapa sujeita a confirmação na apresentação do calendário da próxima temporada da F1. Inicialmente a prova será a 20ª e penúltima do campeonato, dia 12 de novembro. A abertura acontece dia 26 de março em Melbourne, na Austrália.

“Há alguns meses me perguntaram a esse respeito (quando surgiu o rumor de que a corrida estaria em risco), dei minha opinião e fui criticado pelo Tamas (Tamas Rohonyi, da Interpro, promotora e organizadora do evento). Ele disse que não fala o que acha ou deixa de achar das corridas”, afirmou Massa, ou seja, não se intromete na área do piloto. “Eu apenas respondi uma pergunta. Não tenho a menor ideia dos termos do contrato, de como funciona. Falei que diante do momento difícil do Brasil, existia, sim, a chance de isso acontecer (o país não receber mais a F1).”

Ontem mesmo a organização do GP Brasil reagiu à ressalva da apresentação do calendário, pela FIA, e distribui comunicado para informar sentir-se surpresa com a notícia, pois tem um contrato (com a Formula One Management-FOM) até 2020 “e será cumprido rigorosamente, como sempre ocorreu nos últimos 45 anos”.

O assunto parece interessar Massa que deixará a competição depois do GP de Abu Dhabi, último do ano, dia 27 de novembro, após 14 anos de F1. “Eu falei que o risco independe de você ter um contrato. A Alemanha tem contrato e a gente não fez corrida lá no ano passado. Para o Bernie (Bernie Ecclestone, responsável pela definição do calendário, dentre outras coisas) começar a falar, fazer pressão, nós o conhecemos, é porque tem coisa acontecendo em volta. E agora sai o calendário com um ponto de interrogação no GP do Brasil. Antes de me criticar...”

O Brasil não está sozinho nessa indefinição anunciada pela FIA. As etapas do Canadá e da Alemanha também têm o mesmo asterisco que condiciona sua realização a algo não mencionado no comunicado da entidade. A razão é simples: Ecclestone, da FOM, quem repassa a FIA os países que receberão a F1, quer garantias de que os valores estabelecidos em contrato serão cumpridos. O problema é, essencialmente, financeiro.

Nos dias do GP da Hungria, em Budapeste, Rohonyi confirmou ao GloboEsporte.com “não ter dúvida alguma de que tudo seguirá seu ritmo normal”. Foi nessa época que começou o zum zum zum de o Brasil poder deixar o campeonato. “Não existe nada de diferente em relação ao cenário dos últimos anos, daí não entender esse questionamento.”

O valor médio cobrado pela FOM, a chamada taxa do promotor, para as três nações é semelhante, US$ 24 milhões (R$ 77 milhões) a cada edição do evento. A venda dos direitos de TV e o arrecadado com essa taxa representam as duas maiores fontes de faturamento da FOM. Os últimos países a entrar no calendário, como Azerbaijão, Abu Dhabi e Cingapura, pagam algo como US$ 40 milhões (R$ 128 milhões).

O desejo de Massa é ver o Brasil seguir recebendo uma etapa do Mundial. “Não quero o país fora do calendário, a F1 é importante para os jovens pilotos brasileiros, a F1 é um esporte muito querido no Brasil, sempre foi. Gostaria que continuasse muito tempo no Brasil e a gente consiga ter bons pilotos.”

Mas o anúncio de que a prova está condicionada ao país poder corresponder às exigências da FOM não deixa de colocar a corrida em xeque, na visão do piloto. “Que existe a chance de não haver GP do Brasil existe. Caso contrário não teria aparecido isso (o asterisco). Tomara as coisas se resolvam e o Tamas vá trabalhar direito no meio dele e não critique a minha opinião. O importante é deixar claro que torço para tudo dar certo.”

 

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